Senta aqui e me conta a tua história. Sim, eu quero saber, e com todos os detalhes. Tenho gostado cada vez mais de ouvir, de prestar atenção enquanto tu fala, enquanto tu remexe em teus pensamentos, nas tuas lembranças, enquanto te vejo buscando as melhores palavras para descrever uma situação, um momento da tua vida. A tua vida me interessa, tem me interessado cada vez mais, estou gostando de entrar no teu mundo, mais do que isso, estou gostando de entrar em um outro mundo, que não o meu. Está sendo bom trocar vivências, trocar conhecimento e um pouco de experiência. Tenho um monte de coisas pra contar, e se tu deixar eu falar eu vou até amanhã de manhã, então primeiro quero apenas te ouvir. É sério, pode falar.
Sei lá, me conta tudo. Quero saber da tua infância, do nome da tua mãe, do teu pai, se tu tem muitos irmãos ou é aquele filho único mimado, pode me dizer se tu apanhava muito, ou se nunca levou nem um "tapinha". Gosto de te ver com essa cara, de quem se diverte enquanto lembra a vez que fugiu de casa, ou que ficou até tarde brincando na rua, e depois "enforcou" o banho, sentando no vaso com o chuveiro ligado, só pra tua mãe acreditar que tu ia dormir limpinho. Adoro essa risada que tu dá no final das tuas histórias, e fico torcendo sempre pra ser alguma coisa muito engraçada, só pra ver tu colocar a cabeça pra trás enquanto solta a tua risada pausada. Eu to realmente gostando de te ouvir. Vai, estou curioso, me diz o que tu gosta de comer, qual teu signo, o que tu prefere fazer em um domingo, se tu acorda de mal humor, ou se é daqueles que já acorda colocando música, quais são os teus sonhos e objetivos, se tem medo de muita coisa, ou se nem sabe o que significa ter medo. Tuas narrativas me fazem bem. Despertam algo bom, gosto de entender o caminho de uma outra pessoa, fico encantado quando percebo que temos opiniões tão diferentes sobre uma mesma coisa, gosto de defender a minha visão, a maneira e o porque vejo dessa forma, mas, gosto mais ainda quando tu defende a tua, volta e meia se levantando e sentando por cima das pernas no sofá, sem deixar de falar, sem silenciar nem por um segundo. Entendo porque tu pensa da forma que pensa, pois até agora tu dividiu comigo muitas passagens da tua vida, não só me contou sobre os momentos felizes e inocentes da tua infância, mas também sobre tuas perdas, sobre aqueles momentos que tu achou que estava tudo perdido e muito difícil pra continuar. Eu consigo entender o motivo de tu ser assim hoje, teus caminhos justificam tuas atitudes, tu é quem é por tudo que viveu, por isso estou aqui mergulhando nos teus contos, nas tuas lembranças.
Pode tomar um copo d'água, a tua boca deve tá seca. E por favor, Senta aqui de novo, quero falar sobre mim, te importa da gente ir até amanha de manhã?





