f Adeus, verde.

26 de ago. de 2014

A verdade desse lado

Quando soube que iria viajar para Roraima, a primeira coisa que fiz foi abrir o nosso amigo Google e puxar toda a ficha desse lugar que tanto diziam ser o fim do mundo. Pesquisei comidas tipicas, bares e baladas, índice de violência, de atropelamento, de homicídio, até de natalidade... Entrei nas redes sociais de vários Roraimenses para olhar as fotos e descobrir como se vestiam, que aparência tinham, e se realmente ainda usavam penacho.



Embarquei
sabendo de todas aquelas informações que o Wikipédia "caga" em sua página, com todas aquelas estatísticas duras e impessoais que são geradas por quem conheceu a cidade apenas pelos livros e noticiários, sem ter a vivência do lugar.





Eles não usam penacho.
Aliás, até agora, vi tantos índios quanto vejo em Porto Alegre. Quanto ao índice de violência, ainda podemos dirigir na madrugada até uma praça bem iluminada, abrir as portas do carro, colocar um som e ficar de pernas pro ar olhando o céu e as milhares de estrelas. Falar nisso, não lembro de ter visto um céu tão lindo e gigantesco como aqui. Sobre as comidas tipicas: engordei quatro quilos.



Conheci gente feliz e hospitaleira, que sabe receber como poucos. Um povo gentil querendo mostrar as belezas de onde vive. 
Em se tratando de beleza, o Rio Branco e as cachoeiras próximas daqui falam por mim, falam por si. Trocar as grandes construções, os prédios enormes por toda essa paisagem só me fez bem, só me aproximou do aquietar de alma que eu tanto buscava.
















E é por tudo isso que esses mais de cinco mil quilômetros percorridos valeram a pena, sem dúvida, valeram. 

19 de ago. de 2014

6 mil km para se encontrar


Sem dúvida estou vivendo uma das experiências mais incríveis da minha vida. Estou a quase 6 mil km longe de casa. Estou em Roraima. Abandonei temporariamente Porto Alegre, e junto com isso a minha família, meu circulo de amigos, meu quarto, mas principalmente, minha rotina. Esvaziei as gavetas, dei espaço nos armários e embarquei no avião para uma viagem de 10 horas.



Faz exatamente dezenove dias que estou aqui, e nunca tinha vivido nada parecido. A intensidade das relações é o que mais me chama atenção, foi afastado de casa, que pude conhecer pessoas extremamente parecidas comigo, que falam a mesma língua e compartilham o mesmo sentimento, que me receberam de coração aberto em sua cidade e em suas vidas.


Experimento uma liberdade que sempre desejei sentir. Aquela liberdade de encher o peito de ar e se deliciar com o "agora", me encantar com uma cultura totalmente diferente da minha, conhecer pessoas, lugares, estar um pouco mais perto daquela natureza que extasia e consegue me deixar sem palavras (coisa que é difícil de acontecer). Estou encantado. Apaixonado!



Enquanto isso, o tempo passa. E é lógico que a saudade aumenta! A saudade da minha mãe, dos meus irmãos, dos amigos de sempre. Acreditem, mas a única coisa que neste momento faz as lágrimas virem é ouvir a voz da mulher que eu chamo de mãe, dizer por WhatsApp: "Não vou enviar áudio, porque tem dias que são mais difíceis. Te amo filho".




Eu sei que minha súbita ausência dói, ainda mais depois de tudo que passamos juntos, da alta convivência que tivemos, principalmente nesse último ano. Aqui também dói, aperta, mas alivia. Alivia, porque estou bem. Porque estou feliz. Porque encontrei aquela sensação de plenitude que eu vivia buscando em outras coisas.

Então, vou continuar minha caminhada. Continuar desfrutando o prazer que vem das nossas escolhas. Crescendo, amadurecendo, pra quando chegar vocês possam observar o quanto tudo isso me fez bem.

15 de jul. de 2014

No fim das contas


Estou muito feliz, e tenho certeza que tu também. Estou tranquilo, e não tenho dúvida que tu também está.



Estamos agora, cada um em seu caminho, fazendo milhões de coisas, coisas únicas, diferentes, e sei bem o quanto a gente gosta do novo, o quanto eu e tu gostamos da vida. A gente não tem sucesso em ser infeliz, não nascemos pra sorrir pouco. Temos a alma grande, o coração na mesma proporção, se não for ainda maior.
Ficamos juntos e inteiros até o momento em que conseguimos ser tudo isso. Uma hora parou de funcionar, travou. O sorriso travou. E isso é inaceitável para duas pessoas que só querem o que vida tem de melhor pra oferecer. Por isso estou aqui. E tu aí. Calados. Vivendo.


Sempre soubemos utilizar do tempo para aliviar as nossas dores, falo "nossas", mas quero me referir a dor individual, de cada um, aquela sentida antes mesmo dos nossos caminhos se cruzarem, aquela que foi obrigada a ir embora, sem a gente ter o ombro, ou o abraço, um do outro. Somos tão jovens, mas já passamos por perdas e provações, daquelas que a gente prefere nem falar em voz alta, ou simplesmente, nem falar.

Estou aqui. E tu está aí. 

O tempo me ajudou a estar aqui. Podendo escrever e pensar com clareza, sobre tudo que experimentamos e dividimos enquanto tínhamos uma relação. Quando o sorriso era solto e a gargalhada garantida. Acreditamos, e apostamos muito (só a gente sabe o quanto) naquele amor, recém nascido, frágil, mas que queríamos tanto.


Hoje, depois desse tempo, só consigo te desejar o melhor, gosto de estar aqui de longe torcendo pela tua felicidade. Vibrando com sinceridade pelas tuas conquistas. Conheço tua trajetória, e arrisco em dizer que conheço a maioria dos teus sonhos. Só consigo ter certeza que tu vai conquistar todos eles. Parabéns por ser quem é. E principalmente por ter embarcado na loucura que é a minha maneira de amar.

Repito... Estou muito feliz. E tenho certeza que tu também.

24 de jun. de 2014

Um ano para tudo mudar


Que vida mais maluca
. Em questão de um ano tudo pode acontecer, tudo muda. Sou um apaixonado pela vida, adoro observar a forma como ela caminha, como os fatos chegam e nós tomam. É incrível a capacidade que temos de adaptação, de administrar os problemas que caem em nosso colo, independente do tamanho que ele tenha.

Gosto de ver nosso instinto de sobrevivência, o quanto permanecemos de pé apesar das dores, seja ela qual for, a dor da perda, o fim de uma relação, a falta de saúde, ou simplesmente porque as coisas não saíram conforme planejamos.

Mudamos todo tempo, a cada dia que passa, os pensamentos mudam e os objetivos também, traçamos outras metas, trocamos a rota no meio do caminho, pelo simples fato de perceber que por ali não está dando. Estamos eternamente em transformação. Isso é fascinante.

Sempre compartilhei dessa ideia de que 12 meses é o suficiente para nossa vida virar de cabeça para baixo e começar a ser outra coisa. Mas, hoje tenho ainda mais certeza disso. Esse mês faz exatamente um ano que descobri o diagnostico de câncer, faz um ano que recebi a noticia que precisaria entrar em tratamento de quimioterapia para tentar combater essa doença.


E quando volto lá atrás, e tento revisitar toda aquela situação, percebo o quanto eu e a minha vida éramos diferentes, tenho dificuldade de acessar todas essas lembranças e de me colocar no lugar daquele Felipe, que precisou lidar com tudo aquilo, passar por tudo que passou, que passei, ou que passamos, é realmente confuso. Mas, quero dizer que as coisas realmente passam, somem, de tal modo que criamos um distanciamento tão grande do que vivenciamos que parece pertencer a outra vida.

Estou feliz hoje, na verdade estou muito feliz. Minha vida está organizada e eu estou vivo. 
Que os meses e anos continuem passando e fazendo tudo se modificar, ficar parado, estagnado é total perda de oportunidades, de felicidade.