f Adeus, verde.

8 de mai. de 2015

Oh, Manhêêê


Não tirei as melhores notas.

Fiquei longe de ser o menino mais educado.
Não gostava de fazer os temas.
Incomodava os vizinhos.
Briguei muito com meus irmãos.
Volta e meia adoecia.
Chorava bastante, sempre contestando algo.
Gastei uma vez 400 reais de telefone (quando 400 reais era muito, muito dinheiro)
Quebrei o armário do banheiro junto com todos teus esmaltes.
Não atendi o celular e te deixei preocupada.
E muitas vezes gritei contigo na hora da raiva.

É, poderia dizer que sou um bosta de filho.
Mas o teu amor louco por mim, impede.

Tu é feita de amor. E eu continuo achando isso incrível.

Eu poderia conhecer todas as mães do mundo. Receber os seus "currículos" para uma análise. Poderia experimentar a culinária de cada uma, conhecer as diversas formas de educar dessas mulheres, até mesmo entrar em cada abraço e colo de todas elas. Uma por uma. Poderia estar realmente focado em achar uma substituta. Mas tenho absolutamente certeza que não acharia. 

Iria faltar alguma coisa. Iria faltar amor.

Ninguém nesse mundo poderia me explicar e ensinar melhor o que é amar.
Tuas histórias e gestos ao longo da vida foram me mostrando o que é esse sentimento, como ele funciona. Nem tu conseguiria explicar. Tu não se acha a pessoa mais bondosa do mundo, ou a mais honesta, apesar de chegar bem perto de ser.
Eu posso garantir isso, pois reparo em ti, desde que estava dentro do meu berço, ou colado no teu peito. Eu te sinto a 24 anos.

Posso não ter sido o filho mais fantástico, aquele todo certinho que um dia tu sonhou enquanto brincava de boneca. Mas da minha maneira maluca, eu te amo.

Feliz dia das mães, Carmem.


#FelizDiaDasMães
#DiaDasMães
#Mães

6 de mai. de 2015

Síndrome Deixapramanhã


Eu realmente preciso emagrecer.

Mas estou aqui olhando o cardápio de hambúrguer da lancheria perto de casa.

Tenho que começar a ler mais.
Mas estou deitado atualizando o feed de noticias do Facebook.

Estou louco de saudade dos meus amigos, preciso vê-los.
Mas mando um áudio no WhatsApp de 1 minuto e 40 segundos contando minha semana, e concluo dizendo "sim, vamos marcar alguma coisa, sem falta."

Eu amo de verdade aquele cara.
Mas estou transando com outros três.

Quero rezar todo dia, pois tenho tido muito pesadelo.
Mas adormeço vendo a novela, ou fico só pensando e repassando minha vida antes do sono vir.

Vou juntar todo dinheiro possível pra viajar.
Mas por acordar atrasado preciso pegar um táxi. "20 reais, moço. Não tem menos?"

Irei me matricular em uma aula de dança.
Não fiz nada essa tarde.

Eu preciso.
Eu vou fazer.
Eu quero.

E nessa brincadeira vamos gastando tempo, desperdiçando vida.

Deixando de fazer.
Deixando de lado.
Deixando pra amanhã.

E até quando vai ter amanhã?

Eu emagreci, resolvi parar de pegar táxi e ir a pé mesmo. 
Comprei um bom livro e tenho devorado ele toda a noite, até o sono chegar e eu rezar para agradecer meu dia.
Fui visitar alguns amigos, e fiquei bem mais que um minuto e quarenta segundos falando sobre mim, e também sobre eles. No final fomos todos juntos fazer a matricula da tal aula de dança.

Ah...

Eu não amo mais aquele cara. 

4 de mai. de 2015

Tempo de inverno


Com o inverno chegando é a hora de abrir os maleiros, de revirar aqueles sacos grandes que estão entupidos daquelas roupas quentes que deixamos de ver por um longo tempo. O tempo que o sol e o calor imperaram. Seguindo esse velho ritual, hoje foi a vez da minha mãe fazer isso, fez a limpa geral, roupas para doar, para pegar vento, para lavar, enfim, desapegar ou reciclar.

Em uma das sacolas ela tirou uma toca, que usei durante todo o meu tratamento, a velha toca de um ano e meio atrás, onde muito aconcheguei minha careca durante aquele inverno, que foi particularmente frio e amedrontador, devido as incertezas que o câncer me trazia.

Digo tudo isso, somente para observar as mudanças do tempo, e dessa vez não falo do tempo meteorológico, mas sim, do cronológico, do passar dos anos, da quantidade de invernos que acumulamos em uma vida.
Meus caros, tudo realmente passa. Tudo realmente muda, o tempo todo.

As ressacas passam, por maiores que sejam os porres.
Brigas chegam ao fim, por maiores que sejam os rivais,
Amores por maiores e mais intensos que sejam, acabam por findar.
As tempestades se acalmam por maiores que sejam os ventos ou o barulho.

É a lei do tempo, o poder que os dias tem de transformar tudo. De encerrar e iniciar acontecimentos.

A verdade é que os invernos não mudam, quem muda é a gente.
Mudei porque não deu.
Mudei porque me apaixonei.
Mudei porque chorei.
Mudei porque sonhei.
Mudei porque acordei.
Mudei porque caminhei.
Mudei porque sim.
Mudei porque o tempo passou.

Arrumem seus maleiros, coloquem abaixo aquelas sacolas fechadas. Se aqueçam e mudem.






9 de fev. de 2015

Reparos


Reparo em silêncio e apenas comento em voz baixa sobre as sutis mudanças que aconteceram em mim. E digo sobre mudanças internas, perdi nesse último trecho da caminhada alguns sentimentos e manias que sempre me acompanharam e que por muito tempo usei para definir minhas principais características. Não perdi a personalidade, mas dei uma boa recauchutada.

Nunca fiz questão de esconder a minha intensidade perante as coisas da vida, mas, principalmente perante a uma possibilidade de amar. Todos os amigos (principalmente eles), família e até o porteiro do meu prédio sabem da minha fama de passional, do quanto o Felipe se entrega e ama até se doer inteiro, o quanto sou feliz (e o quanto sofro) vivendo e experimentando esse mundo a dois, a cada nova paixão.

E agora como vou explicar para os meus amigos que não sou mais esse cara? que depois de anos colocando o amor no alto da minha lista de prioridades (AMOR grifado e com asteriscos do lado) hoje simplesmente ele se encontra bem embaixo da folha, que a saúde, o dinheiro e o trabalho são os grifados da vez. A tal intensidade despencou, emagreceu, perdeu a graça.

Estou mais sóbrio agora, depois dessa grande festa das escolhas erradas, desse eterno open bar de amores fracos, de amar por amar.

Não sei o que lhe parece esse texto, mas não pense que é a escrita de alguém desiludido ou recalcado. Pelo contrário. Continuo aqui cheio de amor, e amaria quantas vezes mais fossem necessárias, apenas me encontro lúcido diante dos meus sentimentos.

Reparo em silêncio a leveza do que me cerca agora, das coisas que não possuo mais, que simplesmente se desprenderam de mim, ficaram no tempo e nas lembranças.