f Adeus, verde.

19 de fev. de 2019

Rotatória



Mais uma vez eu aqui, escrevendo para me encontrar.
Escrevendo para expressar o meu lado mais racional, que vejo pouco no meu dia a dia.
Parece que tenho grande facilidade em esquecer a dor que alguns erros e acontecimentos causaram.
Pois percebi que continuava fazendo as mesmas coisas, agindo da mesma forma, pegando o mesmo caminho, já me entenderam né?! 
Pois eu entendi. Entendi grande parte, pelo menos.

Parei tudo! 

Como se estivesse em um carro, fazendo uma viagem longa e errasse na rotatória. Eu precisava estacionar, descer do carro e me dar conta que tinha pego o caminho errado, ou melhor, aceitar que eu sabia que estava em um caminho, de novo, complicado.
Parei tudo. 
Na estrada mesmo, no meio do nada, e mais uma vez eu estava sozinho.
Precisei lembrar que eu já conhecia aquela escuridão da estrada. Aquele apagão. Aquele medo de ter ficado sozinho.
Eu até chorei. Um choro muito parecido com os outros. Lembra?!

A culpa não era da estrada, da rotatória ou da pouca iluminação na situação toda.
O que faltava na verdade, era um rumo, e eu só iria conseguir achar, se abandonasse os mesmos caminhos, e não só isso, que também deixasse o carro com toda a tralha que tinha no porta malas, toda e qualquer tipo de lembrança, apego, romantização do que tinha significado aquelas coisas todas.

Era hora de partir, seguir o fluxo sabe?! O caminho é novo, então vai precisar de muita atenção, o caminho é longo, então vai precisar de paciência, coerência e muito, eu disse MUITO foco. Ah, e vai precisar estar sozinho, sozinho mesmo, dessa vez pra valer. É que o caminho é novo, entende?! Totalmente novo!

BOA SORTE.

6 de abr. de 2018

Adulto


Liga para operadora da internet, fala com o prestador que vai arrumar teu interfone, e com aquele que vai consertar a pia, mas tu também não pode esquecer o boleto do aluguel, muito menos a conta da luz, manda um email para imobiliária, chama a mãe no WhatsApp para contar sobre o dia, reclamar um pouco ou perguntar como se usa a panela de pressão.

Sai do trabalho e voa pra casa, agora o apartamento é teu e quando tu chegar a louça ainda vai estar lá na pia (recém consertada pelo prestador que te levou 50 reais) as roupas não vão estar limpas (e lavar elas não é tão divertido como no comercial da OMO) lava a louça e as roupas, passa uma vassoura rapidinho, e bora fazer uma janta, e olha que incrível, mas não é uma miojo, é comida de verdade, até porque agora tu já aprendeu a usar uma panela de pressão.
Falar nisso, como panela de pressão dava medo, e ser adulto também dava medo, agora o medo continua existindo, mas não podemos deixar de SER e nem de usar, então tratamos de fazer da melhor forma.

As minhas conversas mudaram, meus interesses e atenção focaram em outras coisas. Metade daquilo que eu insistia em dizer pra todo mundo que eu era, apenas não existe mais, até parece que nem pertenceu a mim um dia.
Hoje eu to afim de conversar sobre produtos de limpeza, o mistério da fórmula mágica do maravilhoso Mr Músculo, reclamar um pouco de como as coisas estão caras no mercado, que lavar o cabelo tá quase virando coisa pra rico, que o aluguel come na mesa com a gente.

Eu quero falar que parece que virei adulto do dia pra noite, que nem sequer me dei conta, que tudo foi acontecendo, eu fui parando de ser tão inconsequente e inconstante, me alinhei na forma de amar e me relacionar, e sigo percebendo todas as mudanças que ainda são necessárias para eu ser um adulto mais evoluído.

A minha cabeça continua pirada, ainda sou inquieto e agitado demais, os meus impulsos de jovem amadurecendo volta e meia aparecem, fazemos umas cagadas aqui, arrumamos outras ali, e seguimos, virando gente grande e lidando com todas as panelas de pressão que encontramos nesse caminho.



30 de ago. de 2017

Já sei amar



A grande maioria dos textos aqui do blog são sobre amor ou fazem algum tipo de menção a esse sentimento. Nunca foi uma coisa planejada, ou nem mesmo é o único assunto que eu goste de escrever, mas, com certeza esse espaço aqui reflete o que eu sou, e sobre isso eu nunca tive dúvida, eu sou grande fã dessa coisa maluca que é amar.
Aos quase 27 anos, tenho experimentado um amor diferente de tudo que vivi até aqui.
Não acreditava que o amor pudesse ser justo e leal, sequer acreditava em amor maduro, bem resolvido. Certamente grande parte disso foi culpa minha, eu era muito novo quando me apaixonei, sempre fui intenso, a insegurança e o ciúmes batiam ponto em mim, eu queria amar e ser amado a qualquer custo, e isso tudo é uma fórmula mágica para o fracasso amoroso.

Graças a deus fiz muitos aniversários de uns anos pra cá, e algumas fichas caíram, sabe?
Sigo obviamente sem a tal fórmula mágica que faz tudo ser flores e lindo o tempo todo, mas em compensação, descobri uma outra fórmula, muito mais fácil que a de bhaskara, um jeito simples de fazer as coisas darem certas: acumular momentos bons e ponto final.
Tenho experimentado nos últimos meses um amor desses simples, justo e leal. Tenho vivido um amor que me faz ter vontade de pedir pra todo mundo correr e buscar a sua paixão, por que é bom demais!

Tive sorte, eu sei, sorte de encontrar alguém tão parecido comigo, com o mesmo humor afiado, o mesmo brilho no olho quando se trata de viver, fui sorteado em ter um cara comigo que quer as mesmas coisas, crescer, viver e cuidar dessa relação, tão nova e tão intensa.
Os problemas estão aí, claro, são duas pessoas que apesar de tão parecidas, tem cada uma a sua particularidade, a sua história e a sua criação, modo de pensar e agir, enfim, pessoas distintas não é mesmo?!

É bom demais ter um amor que não se importa com isso, um amor que supera qualquer coisa, inclusive coisas difíceis e chatas, como o preconceito, a falta de informação, os olhares de "o que esses dois homens estão fazendo juntos?"
- Estamos amando e sendo muito felizes!

O amor existe, e está aí para todos. Espero que cada vez mais as pessoas se encham desse sentimento, desse estado de espirito, que com isso se preocupem e se importem menos com as formas variadas de amor que existem por aí, e que merecem RESPEITO!
Encontrem o ser par, e sejam extremamente felizes, com certeza isso deve bastar.

25 de mai. de 2017

Resumo de um novo amor




De repente ficou fácil. De repente fez sentido.
Do nada funcionou.
Não sei qual foi segredo, se foi não ficar supervisionando o calendário, se foi abandonar os medos de sempre, ou por simplesmente acreditar que era pra ser.

O primeiro encontro em um bar, as amigas junto para aquilo não parecer um encontro tão clichê e levemente constrangedor. Uma cerveja, duas cervejas, a conversa paralela, o olhar tímido e às vezes de canto de olho, três cervejas, mais conversa, o olhar mais descontraído, a aproximação nítida, quatro cervejas, um pouco mais de conversa e no final o beijo, roubado por mim.

Mais um encontro, mais um bar, uma noite na casa de amigos, uma ou duas festas juntos, um cinema, uma saída pra jantar, outros bares, as conversas sem fim no WhatsApp, a vontade de se ver de novo, a dúvida boba de "mando ou não mando uma mensagem?", a espera da resposta, a ansiedade de se encontrar.

O espontâneo desinteresse em outras pessoas, a espontânea sensação de "eu to curtindo pra car@l#o"

De repente ficou fácil. De repente fez sentido.
Eu estava apaixonado, ele também.
A gente queria continuar se vendo, sempre.

As dúvidas de quem começou a se relacionar, o medo do desconhecido, a ponderação das palavras quando o assunto era "o que estamos sentindo", a alta frequência dos encontros, um "eu te amo" velado, escondido nas ações, nas frases. O tempo passando. Um, dois, três meses...

A confissão do "eu te amo" e um pedido de namoro lindo, leve e cheio de sentido.

Do nada funcionou. Do nada eu parei de ter medo.
Agora faz sentido ter uma relação.
Agora finalmente eu entendi que amor pode sim ser simples e leve, que respeito por alguém e confiança são a base de tudo.
Agora eu entendo que tudo deve ser conversado e trabalhado, que não devemos nunca dormir brigados, que amor significa paciência e cuidado, que devemos melhorar diariamente, ceder e praticar a empatia.

PS: o final desse texto é só pra ti, meu bem:
Se a vida é feita para acumular momentos bons, tenho certeza que estamos no caminho certo, diariamente entendo o que estamos construindo e para onde estamos indo, e apenas me encho de orgulho dessa pequena trajetória nossa.

Obrigado por fazer eu entender o amor, meu amor.




20 de out. de 2016

Esse é o fim?!


Eu precisava voltar a escrever, estava em falta com o Adeus, Verde, mas principalmente em falta comigo. A vida entrou naquele ritmo frenético que a gente não consegue priorizar um monte de coisas apesar de gostar tanto delas. Sempre que pensava em vir aqui escrever questionava o que eu escreveria, qual o assunto eu iria abordar, cheguei a iniciar vários textos, escrevia um ou dois parágrafos e simplesmente parava, não fluía, não estava orgânico/natural.
Hoje eu sei que chegarei no final desse texto, pois as palavras estão pipocando na minha cabeça e eu preciso colocar para fora, preciso dividir com vocês. Acabei de receber a noticia do falecimento precoce e impactante de uma baita mulher, que tive o prazer de conviver no trabalho, uma menina ainda, lotada de sonhos e objetivos, que vinha lutando alguns anos com o câncer, fazendo seu longo e exaustivo tratamento, do jeito que deve ser feito, com fé e sorriso no rosto. Eu já estive desse lado, sei exatamente como funciona essa batalha, o quanto esse processo todo demora para passar e o quanto a gente acredita na cura, como buscamos incessantemente permanecer vivos.

Ninguém quer morrer. Ninguém quer perder essa luta.

Toda vez que isso acontece eu sinto que perdi também. Não consigo ser espiritualizado o suficiente para entender essa morte, acho injusto depois de tudo, depois de todos esses anos tentando, esse é o fim?! É o tal descanso merecido?!
Desculpa meu Deus, mas não consigo lidar, não posso dormir tranquilo hoje a noite, por que dói, por que faz eu lembrar que poderia ter acontecido comigo.

Eu não quero morrer. Eu não quero perder essa luta.

Juliana Daudt, há um ano, exatamente no dia 30 de outubro do ano passado, eu mandei uma mensagem no seu Facebook, contando que tinha sonhado contigo, no sonho tu estava curada e trabalhando muito, estava radiante e feliz. Esse sonho aconteceu logo depois que cheguei da minha consulta da oncologia, onde eu fechava dois anos de cura. Tive certeza que não era uma coincidência, tive certeza que era a maneira que Deus encontrou de avisar que tu iria ficar bem.

Estou rezando pela tua passagem. estou pedindo força e entendimento para tua família e amigos.

Não queria estar voltando para o blog por esse motivo, mas também não poderia deixar passar a história de uma guerreira, que viveu até o último dia para vencer essa doença.

A todos que continuam, eu desejo força, coragem e muito amor para enfrentar tudo que essa doença causa.


#Luto

8 de jun. de 2016

Cancun


Cancun foi minha primeira grande viagem. A primeira viagem internacional que fiz.
Saí de Porto Alegre no dia 23 de maio, com uma mala grande e uma mochila nas costas.

E então, tudo começou...

Voos, uma aeronave, duas aeronaves, despacha mala, espera mala, imigração, passaporte, espera nos aeroportos, pão de queijo, café, comida de avião. Dormir sem descansar, a ansiedade de chegar gritando, e eu sozinho, em todo esse percurso.

É claro que sinto orgulho de mim. Em perceber como eu me viro, como consigo usar meu portunhol sempre que preciso, a forma que estou organizado, sabendo que portão devo estar, que horas devo estar, o tempo que o voo vai durar, como vou proceder quando chegar no outro país, enfim, está tudo no controle.

Então, eu só relaxo e espero a melhor parte: CHEGAR!

Eu não quero ser piegas, e escrever o óbvio, o que todo mundo fala quando faz uma viagem. Que foi sensacional, uma viagem inesquecível, que está maravilhado com tudo que viu, experimentou e conheceu, mas, é exatamente isso.
Fiquei em êxtase com aquelas praias, com a cor daquela água, o azul que berra junto com o céu, a cor branca da areia, a hospitalidade dos mexicanos, a infraestrutura do resort all inclusive (bebidas, comidas, e todas regalias possíveis liberada). A noite em Cancún, os bares, restaurantes, as boates, e a segurança de poder caminhar sem medo, a limpeza da cidade, as árvores e todo o verde que se amontoam no caminho.
Um lugar para relaxar, esquecer de tudo mesmo, colocar os pés pra cima e só se perguntar qual próximo drink tomar, e se prefere ir na piscina ou no mar. Uma benção. Um paraíso.


Não viajei até o México somente para curtir minhas merecidas férias, fui até lá para celebrar junto de amigos e família, o casamento do meu primo.
Diego e sua noiva Karen, resolveram fazer da data do casório, 27 de maio de 2016, a oportunidade única de movimentar a vida das pessoas que amam. Transformaram o que seria um dia marcante para os dois, em vários dias marcantes pra todos que conseguiram se presentear com essa viagem. Eles cumpriram com êxito o seu principal objetivo, promover através da união dos dois, momentos e sensações inesquecíveis, para cada um que estava ali. E eu, só consigo agradecer, obrigado, obrigado e obrigado. 

Cancun
foi minha primeira grande viagem. A primeira de muitas, eu não tenho dúvidas.
Retorno para Porto Alegre, depois de intensos dez dias. Renovado, com milhões de ideias, metas e desejos, apenas redescobrindo o meu potencial, e entendendo um pouco mais, sobre o tamanho desse mundo.

Uma bela viagem. Obrigado meu Deus!

#casamentokarenediegocancun #cancun #trip #ferias #mexico

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19 de mai. de 2016

Tudo certo

Tudo está certo.
Todas as coisas encaixaram e fluíram perfeitamente. O que fazer quando não tem o que reclamar?
Aproveitar, com certeza.
Cada ano que passa, tenho ainda mais certeza, do quanto essa vida é louca e instável. E que o importante mesmo é sorrir em todas as fases. 
Uma hora tudo parece errado. Torto. Bagunçado.
E depois...

Tudo está certo.
As coisas andam e param, e a gente tem que se acostumar com esse balanço.
Eu permaneci positivo e otimista sempre. E sempre foi espontâneo. Nunca contei com o pior, acredito que sempre a coisa vai, que vai ser ainda melhor, que estou evoluindo, crescendo. Enfim, estou vivendo.

Tudo está certo.
Estou tranquilo, arrumando minhas malas.
Estou em paz, com esse último ano.
Estou grato por todas as coisas novas e boas que teimaram em surgir.

Tenho a serenidade de quem está em férias. 
Tenho a felicidade de quem vai viajar, deixando tudo certo por aqui.
Tenho também uma euforia, que faz com que eu me sinta vivo, vibrante.

Tudo está certo.
Graças a Deus.
Graças a minha mãe Carmem, que esteve todos esses anos presente e incansável, no que se referia a minha felicidade e meus sonhos. Uma baita amiga e parceira, que incentivou a minha viagem, apoiou de todas as formas e fez com que tudo isso desse certo. Muito obrigado, meu amor <3 
E graças a mim, que rebolei e suei pra evoluir, pra focar, e pra hoje estar TRANQUILO!

Tudo uma hora fica certo.































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27 de abr. de 2016

Um começo

Tudo tem um começo. E a gente vive começando. Eu mesmo, já perdi as contas de todos os meus começos. Cada vez que surge uma ideia nova, uma vontade diferente, algum desejo, ou até mesmo uma mudança, seja ela física ou interna, não importa, estamos começando. Começar tem tudo a ver com mudança, e também tem tudo a ver com esperança. Normalmente quando começamos estamos inteiros e dispostos, e claro, um pouco amedrontados. Se é começo, é novo. Se é novo, é desconhecido. Se é desconhecido, temos medo. Mas, nem por isso deixamos de COMEÇAR!

Foi assim no meu primeiro emprego, quando não tinha noção nenhuma do que estava fazendo ali. Ou quando me aventurei no teatro, e antes de entrar no palco senti meu coração pulando. Também tive essa sensação quando me apaixonei de novo, e não fazia ideia de como fazer aquilo dar certo. E, claro, quando precisei começar minha quimioterapia, um mundo totalmente novo pra mim. Novo e desconhecido. Fiquei cagado de medo, mas, eu precisava começar, e foi justamente por isso, que também comecei isso tudo aqui...

Dia 14 de Setembro de 2013, eu comecei a escrever aqui no blog. Fui depositando todos os meus anseios e constatações. Fui dando forma ao Adeus, verde, um espaço onde eu podia abrir meu coração, além de deixar todo mundo atualizado do meu tratamento. O titulo do primeiro texto, foi justamente esse: "Um começo", e graças a isso tudo aqui, eu fui tendo força, coragem, e muita, muita fé, pra continuar a caminhada.

Hoje, tudo mudou. Já tive outros empregos, outros amores, e troquei o teatro por outros desejos, além, claro, de ter conquistado a cura.

Então começo uma nova etapa. Aqui mesmo, no meu espaço de sempre. Presenteando quem me lê, com um novo layout no blog, com novos textos, e novas historias. Super feliz com o novo visual, feito com todo carinho e cuidado por uma competente amiga, @JessicaMartins, que além de ser uma baita fotografa, também tem seu espaço virtual, o "Só podia ser Martins" (http://www.sopodiasermartins.com/) onde deposita suas ideias, suas ideologias e opiniões, de forma clara e objetiva. Vale a pena conferir!

Bom, sejam todos bem vindos, e espero que gostem das mudanças. Lembrando, que é sempre bom começar. Então, desejo Um começo inesquecível para todos.

E por favor, deixem aqui suas opiniões e ideias, vamos compartilhar!


14 de mar. de 2016

Minha amiga...


A verdade, minha amiga, é que o tempo passa, depressa, e sempre muda tudo.
Estamos sendo atropelados pelos anos e seus acontecimentos. Uma hora a felicidade escancarada, no outro dia o medo e uma tristeza, com ou sem um motivo, existindo um fato, ou não existindo. Os anos, os acontecimentos, e seus sentimentos estão nos atropelando, eu sei.
A verdade, minha amiga, é que tudo mudou. Nós mudamos. Trocamos de opinião, temos outro gosto musical, amaduremos algumas ideias, aperfeiçoamos a nossa fé, e o jeito de falar com Deus, a gente se reinventou diversas vezes, eu lembro de todas elas.
A verdade, é que a vida sempre gostou de provar que tem poder, poder de transformar tudo, de nos jogar para o lado que ela acredita ser melhor, a hora que ela bem entender. E a gente entendeu o recado, se transformou junto, e se adaptou aos novos fatos.
A verdade, amiga, é que aprendemos a ser felizes, de todo e qualquer jeito, independente das loucuras dos dias, da rapidez que os meses se desenrolaram. A gente foi muito feliz até aqui.

Não tenho mais medo do calendário, tão pouco da instabilidade da vida, e nem sequer dos golpes duros que vamos ser obrigados a passar. E posso te dizer mais uma verdade?!
Não tenho medo de nada disso, não por ser um cara corajoso, mas, por ter você aqui, minha amiga.
Sinto força, vontade de seguir, fico calmo, e alegre, sempre que percebo que somos pra sempre, amor de alma, irmãos.

Então, vamos sentar, pode ser na mesa de um bar, ou no sofá da tua casa, vamos tomar uma cerveja, ou uma coca cola bem gelada, vamos aquietar a nossa mente, enquanto conversamos e relembramos o que realmente vale a pena lembrar. Vamos sorrir, já que é o que sempre fizemos. E ficar lado a lado, enquanto o tempo passa, depressa, e muda tudo.

Te amo, em todas as vidas.

2 de dez. de 2015

Um ano sem...


Uma das sete ondinhas que eu pulava todo o réveillon, era reservada pra um pedido em especial: um amor.

Nas minhas orações, eu balbuciava rapidamente "saúde, dinheiro, paz" e logo clamava por um AMOR.
Eu gostava de ouvir as histórias dos meus amigos, mas, ansiava a minha vez de falar, falar e falar sobre minhas frustrações amorosas. E sempre questionando: quando vai dar certo pra mim?!

Em
resumo: eu era um porre, aquele cara que vivia apaixonado por um ideal de amor, mas que nem sequer sabia amar de verdade, pois prejudicava todas as minhas relações com aquele "mimimi" de gente insegura, ciumenta e cheia de posse sobre o outro.
Quando não estava apaixonado, estava tentando esquecer alguém, e pior, que sempre acabava esquecendo, mas, por outro alguém, e o ciclo vicioso continuava, e continuava pegando fogo.
Era eu, repetindo pra mim mesmo, o quanto eu era passional e o quanto nada nunca dava certo...
Até que... isso parou. ACABOU!

No meu último romance as coisas já estavam bem mais tranquilas, acho que finalmente comecei a me dar conta que supervisionar e enlouquecer alguém, não era a melhor técnica para evitar um chifre ou conquistar a lealdade e carinho da outra pessoa. Entendi que cada um DEVE ter seu espaço, e que liberdade não cai bem só pra mim, mas pra todos.

Essa relação foi bastante saudável, e veja só... também chegou ao fim.

que essa vez não causou tanta dor. 
que essa vez não precisei ocupar os ouvidos dos amigos.
que essa vez não precisei me destruir para ficar bem.
que essa vez eu não me apaixonei de novo.

Interrompi o velho ciclo vicioso.

12 meses se passaram.

Eu
continuei sozinho, EU NÃO ME APAIXONEI DE NOVO, e foi por pura opção, por estar bem, exatamente do jeito que estou agora, enquanto escrevo esse texto. Escrevo e vou me dando conta de que não lembrava mais qual foi a última vez que fiquei sem ninguém na cabeça, sem nenhum louco amor fazendo sombra no coração. 
A melhor parte disso tudo, é que não há nenhuma amargura nesse último trecho que leram.

Enfim, de uma coisa eu já tenho certeza; uma das sete ondinhas que eu pular esse réveillon, vai ser reservada pra um pedido em especial: um pouco mais de evolução.

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18 de nov. de 2015

Crise dos 25?!


Faltam apenas cinco anos para os 30.




Não são apenas 25. Os 18 já estão lá atrás, com seu corte de cabelo duvidoso, e suas combinações de roupas exóticas. O charme de dizer todo sorridente enquanto toma um mojito, "Eu fiz 22, to ficando velho, né?!" já se acabou. E eu nem preciso falar dos "23", aquela idade limbo, que nada acontece, a não ser gerar expectativa sobre como será aos 24 anos.

O f#d@ é que do nada, quando a gente menos espera, enquanto brincamos de ainda ser suuupeeer jovens, "25" aparece, essa IDADE que chega com tudo, toda bem vestida, fina, no saltão, e cheia de malas da Louis Vuitton, já te perguntando a queima roupa:

"E aí, to rica?!"
"Bom... mas pelo menos já fiz uma faculdade, né?!"
"Sou dona do que?! ah... empregada ainda, tendi."
"Casei não???"
"Essa é a minha mãe morando comigo?! ah, sou eu quem moro com ela, claro..."

Mas, graças a deus já estamos mais maduros, e respondemos pausadamente todas as perguntas do #QuizDos25, fazendo a IDADE entender que as coisas não tão simples e rápidas assim, que ainda não teve casamento, mas nem por isso ela deixou de ser feliz, que a faculdade ainda não aconteceu, mas que ela realmente tem um puta potencial, que morar com a mãe nunca foi tão prazeroso e divertido, e que definitivamente dinheiro não traz felicidade (mentira, traz sim, muita. Por isso vou suar a nossa camiseta fina e chique, prometo)

A verdade é que estou em paz, juro. Fui permitindo conhecer cada idade que chegava, compreender todas elas (ou quase), e não criticar a discrepância e ousadia de uma ou outra. A verdade é que todas elas usaram do questionamento para fazer eu mudar. Mudei tanto, que já não me preocupo com os próximos cinco anos, estou aproveitando a viagem, no meu barco, quem tinha que pular, já pulou. Aprendi a não cansar de remar, e nunca deixar de avistar o meu paraíso.

Sem crise. 

10 de ago. de 2015

E a saudade?!

O Facebook anda nos ajudando a lembrar de alguns momentos, através de fotos postadas por nós mesmos, a um ou alguns anos atrás. E hoje foi assim, uma foto antiga, que teve o poder de trazer saudade, que fez eu abrir o notebook só para colocar pra fora esse sentimento.

Já sentiu saudade boa? aquela que te faz sorrir, mas que não deixa de apertar o coração, de dar aquela angústia.

Uma saudade do que vivi, da intensidade daqueles dias, do calor daquela cidade, dos lugares que entrei e saí, do meu desequilíbrio e da minha paz. Aquele bem estar de viver algo totalmente novo, com pessoas interessantes e desconhecidas. As noites sem fim, as manhãs ressacadas, os aprendizados, a troca sincera, eu amei naquele lugar, eu fui amado. Como tudo isso não traria a tal saudade?!

Essa saudade não faz eu abandonar tudo aqui, não faz eu procurar e revirar o meu passado, ou simplesmente fazer as malas mais uma vez. A saudade existe, mas não mexe com o meu presente, justamente por não ser a falta de algo interrompido, não vivido, ou deixado pra trás. Não me foi tirado nada, não abandonei a história no meio. Eu simplesmente passei por tudo que deveria ter passado, naquela cidade, a mais de 5 mil quilômetros de onde estou hoje.

Então sem eu perceber, essa angústia, esse aperto no peito, se transforma em sossego, uma espécie de felicidade simples, uma tal "saudade boa".

Que assim seja, hoje e sempre.





17 de jun. de 2015

Reclamando da felicidade


Tenho uma família completa, cheia de amor e de problemas pequenos que vem e que vão, que se dissolvem com o tempo. Também sou rodeado de amigos, daqueles bons, que irão sair de seus colchões confortáveis para ir correndo ao meu encontro, independente de hora ou ocasião, eles sempre estão por ali. Trabalho um bocado, e ganho minha grana com isso.
Uma cama confortável, roupas boas e escolhidas por mim no armário, geladeira com coisas que gosto de comer, uma saúde ok, energia e entusiasmo de sobra.

Espera aí, to reclamando de que então?

Reclamamos por reclamar, por puro hábito de ter o que se queixar.
Sentimos necessidade de falar que não aguentamos mais o frio, que o calor está insuportável, que fulano atrasou e fez você esperar. Que você perdeu o ônibus ou que o motorista não é educado. Que preferia o de uva, mas só tem laranja. Que isso e que aquilo...

Ah para!
A verdade é que usamos esse bando de lamúrias para esconder que somos completamente felizes.
Como se fosse feio estar "100porcento". Aquela velha história que felicidade tem que ser vivida em voz baixa, que não deve ser gritada. Vivemos cochichando nossas conquistas, os nossos projetos e sonhos, já os nossos percalços e mau tempo, falamos em voz alta, pra quem quiser escutar.
Quando alguém pergunta "tudo bem?" e a resposta é "tudo ótimo!" chega a soar estranho, uma pontinha de arrogância ou algo forçado. Pois estamos acostumados a ouvir "tudo bem sim" ou "tudo indo" ou qualquer outra frase sem impacto e entusiasmo nenhum,

Então se me perguntarem "tudo bem?"
Tudo ótimo, tudo maravilhoso.

Sou feliz vivendo minha vida exatamente como ela é, e isso não quer dizer que não quero mais, que não tenho ambição, pelo contrário, minhas ambições e desejos são infinitos, passaria a noite aqui escrevendo tudo que quero conquistar e/ou comprar. A questão é que estou sossegado com que conquistei até agora.
Os amigos, a família maluca, as cervejas no fim da tarde, o jantar gostoso que posso pagar graças ao trabalho que faço durante a semana, enfim, com tudo que compõe a minha história, até mesmo com esses falsos problemas que crio somente pra agitar minha pacata vida.

11 de jun. de 2015

Dia dos (ex)namorados


Quando organizei uma viagem surpresa, com direito a jantar e lareira.
Eu estava apaixonado.

Quando mexi no seu celular assim que adormeceu.

Eu estava apaixonado.

No café da manhã que eu fiz só pra gente brindar ao nosso amor.

Eu estava perdidamente apaixonado.

Quando usei uma tesoura pra cortar a blusa que você havia esquecido lá em casa, depois de mais uma briga.

Eu estava apaixonado.

Quando deixei recado, bombom, carinho.

Eu estava apaixonado.

Invadi teu espaço, tua casa, tua liberdade.

Acredite, eu estava apaixonado.

Quando peguei uma fila apenas pra recarregar seu celular.

Eu estava apaixonado.

Depois de apagar metade dos teus contatos.

Eu continuava apaixonado.

Sempre levei muito a sério estar apaixonado. E junto com a paixão vem o total desequilíbrio, coisa que também levei muito a sério.
Hoje, longe de todos vocês, que me enlouqueceram de amor e ódio, percebo o quanto consigo ser feliz e completo nesse próximo dia 12 de junho. Jantando com meus amigos.

Feliz dia dos (ex) namorados.




8 de mai. de 2015

Oh, Manhêêê


Não tirei as melhores notas.

Fiquei longe de ser o menino mais educado.
Não gostava de fazer os temas.
Incomodava os vizinhos.
Briguei muito com meus irmãos.
Volta e meia adoecia.
Chorava bastante, sempre contestando algo.
Gastei uma vez 400 reais de telefone (quando 400 reais era muito, muito dinheiro)
Quebrei o armário do banheiro junto com todos teus esmaltes.
Não atendi o celular e te deixei preocupada.
E muitas vezes gritei contigo na hora da raiva.

É, poderia dizer que sou um bosta de filho.
Mas o teu amor louco por mim, impede.

Tu é feita de amor. E eu continuo achando isso incrível.

Eu poderia conhecer todas as mães do mundo. Receber os seus "currículos" para uma análise. Poderia experimentar a culinária de cada uma, conhecer as diversas formas de educar dessas mulheres, até mesmo entrar em cada abraço e colo de todas elas. Uma por uma. Poderia estar realmente focado em achar uma substituta. Mas tenho absolutamente certeza que não acharia. 

Iria faltar alguma coisa. Iria faltar amor.

Ninguém nesse mundo poderia me explicar e ensinar melhor o que é amar.
Tuas histórias e gestos ao longo da vida foram me mostrando o que é esse sentimento, como ele funciona. Nem tu conseguiria explicar. Tu não se acha a pessoa mais bondosa do mundo, ou a mais honesta, apesar de chegar bem perto de ser.
Eu posso garantir isso, pois reparo em ti, desde que estava dentro do meu berço, ou colado no teu peito. Eu te sinto a 24 anos.

Posso não ter sido o filho mais fantástico, aquele todo certinho que um dia tu sonhou enquanto brincava de boneca. Mas da minha maneira maluca, eu te amo.

Feliz dia das mães, Carmem.


#FelizDiaDasMães
#DiaDasMães
#Mães

6 de mai. de 2015

Síndrome Deixapramanhã


Eu realmente preciso emagrecer.

Mas estou aqui olhando o cardápio de hambúrguer da lancheria perto de casa.

Tenho que começar a ler mais.
Mas estou deitado atualizando o feed de noticias do Facebook.

Estou louco de saudade dos meus amigos, preciso vê-los.
Mas mando um áudio no WhatsApp de 1 minuto e 40 segundos contando minha semana, e concluo dizendo "sim, vamos marcar alguma coisa, sem falta."

Eu amo de verdade aquele cara.
Mas estou transando com outros três.

Quero rezar todo dia, pois tenho tido muito pesadelo.
Mas adormeço vendo a novela, ou fico só pensando e repassando minha vida antes do sono vir.

Vou juntar todo dinheiro possível pra viajar.
Mas por acordar atrasado preciso pegar um táxi. "20 reais, moço. Não tem menos?"

Irei me matricular em uma aula de dança.
Não fiz nada essa tarde.

Eu preciso.
Eu vou fazer.
Eu quero.

E nessa brincadeira vamos gastando tempo, desperdiçando vida.

Deixando de fazer.
Deixando de lado.
Deixando pra amanhã.

E até quando vai ter amanhã?

Eu emagreci, resolvi parar de pegar táxi e ir a pé mesmo. 
Comprei um bom livro e tenho devorado ele toda a noite, até o sono chegar e eu rezar para agradecer meu dia.
Fui visitar alguns amigos, e fiquei bem mais que um minuto e quarenta segundos falando sobre mim, e também sobre eles. No final fomos todos juntos fazer a matricula da tal aula de dança.

Ah...

Eu não amo mais aquele cara. 

4 de mai. de 2015

Tempo de inverno


Com o inverno chegando é a hora de abrir os maleiros, de revirar aqueles sacos grandes que estão entupidos daquelas roupas quentes que deixamos de ver por um longo tempo. O tempo que o sol e o calor imperaram. Seguindo esse velho ritual, hoje foi a vez da minha mãe fazer isso, fez a limpa geral, roupas para doar, para pegar vento, para lavar, enfim, desapegar ou reciclar.

Em uma das sacolas ela tirou uma toca, que usei durante todo o meu tratamento, a velha toca de um ano e meio atrás, onde muito aconcheguei minha careca durante aquele inverno, que foi particularmente frio e amedrontador, devido as incertezas que o câncer me trazia.

Digo tudo isso, somente para observar as mudanças do tempo, e dessa vez não falo do tempo meteorológico, mas sim, do cronológico, do passar dos anos, da quantidade de invernos que acumulamos em uma vida.
Meus caros, tudo realmente passa. Tudo realmente muda, o tempo todo.

As ressacas passam, por maiores que sejam os porres.
Brigas chegam ao fim, por maiores que sejam os rivais,
Amores por maiores e mais intensos que sejam, acabam por findar.
As tempestades se acalmam por maiores que sejam os ventos ou o barulho.

É a lei do tempo, o poder que os dias tem de transformar tudo. De encerrar e iniciar acontecimentos.

A verdade é que os invernos não mudam, quem muda é a gente.
Mudei porque não deu.
Mudei porque me apaixonei.
Mudei porque chorei.
Mudei porque sonhei.
Mudei porque acordei.
Mudei porque caminhei.
Mudei porque sim.
Mudei porque o tempo passou.

Arrumem seus maleiros, coloquem abaixo aquelas sacolas fechadas. Se aqueçam e mudem.






9 de fev. de 2015

Reparos


Reparo em silêncio e apenas comento em voz baixa sobre as sutis mudanças que aconteceram em mim. E digo sobre mudanças internas, perdi nesse último trecho da caminhada alguns sentimentos e manias que sempre me acompanharam e que por muito tempo usei para definir minhas principais características. Não perdi a personalidade, mas dei uma boa recauchutada.

Nunca fiz questão de esconder a minha intensidade perante as coisas da vida, mas, principalmente perante a uma possibilidade de amar. Todos os amigos (principalmente eles), família e até o porteiro do meu prédio sabem da minha fama de passional, do quanto o Felipe se entrega e ama até se doer inteiro, o quanto sou feliz (e o quanto sofro) vivendo e experimentando esse mundo a dois, a cada nova paixão.

E agora como vou explicar para os meus amigos que não sou mais esse cara? que depois de anos colocando o amor no alto da minha lista de prioridades (AMOR grifado e com asteriscos do lado) hoje simplesmente ele se encontra bem embaixo da folha, que a saúde, o dinheiro e o trabalho são os grifados da vez. A tal intensidade despencou, emagreceu, perdeu a graça.

Estou mais sóbrio agora, depois dessa grande festa das escolhas erradas, desse eterno open bar de amores fracos, de amar por amar.

Não sei o que lhe parece esse texto, mas não pense que é a escrita de alguém desiludido ou recalcado. Pelo contrário. Continuo aqui cheio de amor, e amaria quantas vezes mais fossem necessárias, apenas me encontro lúcido diante dos meus sentimentos.

Reparo em silêncio a leveza do que me cerca agora, das coisas que não possuo mais, que simplesmente se desprenderam de mim, ficaram no tempo e nas lembranças.

9 de jan. de 2015

Longe de casa, 2° Noite



Observo-me sentado em cima de um colchão inflável, com um notebook recém comprado sobre o sofá, também novo. Ouço agora apenas o barulho do ventilador de teto, que refresca um pouco mais essa noite, esse apartamento. No meu lado direito (e do notebook também) repousa meu livro, onde procurei abrigo durante algumas horas da tarde. “Dupla Falta”, o título.

Percebo-me sozinho. Dentro desse espaço, que agora chamo de meu apartamento.
Totalmente sozinho. E logo, reparo, o quanto estou tranquilo.

Paredes brancas, sofá preto, duas cadeiras de madeira acompanhadas de uma mesa, um guarda-roupa (onde escondo as minhas duas malas ainda não desfeitas), a cozinha pequena, um banheiro todo branquinho... E eu. Apenas eu.

Se esses dias não forem algo parecido com “se auto conhecer”, eu não sei mais...

Estou comigo dia todo, do abrir dos olhos, ao fechar e abrir de novo por conta de algum pesadelo. Nunca estive tão integralmente comigo. E acho maravilhoso, não só pelo fato de ainda não ter lavado a louça do almoço (não se preocupem, vou lavar), mas algo muito mais profundo que isso. Como disse, observo-me tempo todo. Converso diariamente com meus defeitos e com minhas incríveis capacidades. Converso e discuto meus planos e vontades a todo pulmão. Escuto-me cada dia mais.

Permito até mesmo interromper a escrita desse texto, para dar risada com minhas amigas do Rio Grande do Sul via redes sociais (WhatsApp). Pensando bem, nem estou tão sozinho assim.

Em cima do livro já se encontra meu celular, estou com os joelhos sobre o colchão inflável, pronto para buscar o ponto final do que escrevo, pois ainda preciso saborear a massa que preparei. De tudo, o que importa, é isso... Estou tranquilo. Livre.


5 de jan. de 2015

Carta para Deus


Olá Deus,

Estive ausente, confesso. Pelo menos em oração. Apesar de acreditar que minha felicidade e gratidão falam por mim. Nunca esqueci o que o senhor fez e vem fazendo para me ajudar. Um pouco mais de um ano atrás clamei diariamente pela minha vida. E aqui está ela. Estou vivo. E muito bem.

Volto a escrever para o senhor, e peço licença para descarregar mais alguns pedidos... Deus, estou mais uma vez batendo a porta da minha casa e indo embora. Mais uma vez vou segurar o choro enquanto abraço apertado a minha mãe, impedindo que ela repare na lágrima que certamente vai vir mais forte enquanto cruzo o portão de embarque.

Eu quero ir embora. O senhor sabe disso, ela sabe disso.

Mas nem por isso deixa de doer, é a chamada saudade, que a cada ano entendo um pouquinho melhor. 

Sei que logo estou de volta, tenho um compromisso com a minha saúde, e quanto a isso vocês dois não precisam se preocupar. Em fevereiro estarei aqui novamente, provavelmente em cima dessa cama, olhando para esse computador.
Ia quase esquecendo dos meus pedidos... Ilumina meu caminho, abre meus olhos e faça que eu enxergue tudo com mais clareza. Ajuda a administrar essa vontade louca de ser livre, deixa eu entender porque não quero criar raízes. Me protege. Abraça forte e pega a minha mão toda a noite. Sussurra no meu ouvido as oportunidades certas. Eu quero um sorriso ainda maior na minha boca. Quero ganhar de presente a tranquilidade de estar no caminho certo. Eu quero caminhos. 

E a última coisa... por favor, cuida dela, entrega tudo de melhor, pois ela merece. Tu fez uma grande mulher, uma grande mãe. E se hoje posso sair de baixo da asa dela com toda essa facilidade, é justamente a prova de tudo que acabei de escrever. Ela é incrível. Que tudo dê certo, assim que eu cruzar o portão de embarque. Amém.