f Adeus, verde.

7 de dez. de 2013

A Segunda Chance


Cada dia mais entendo o quanto a vida é surpreendente. O quanto definitivamente não sabemos nada do que nos aguarda, é super clichê mas a vida é realmente uma imensa caixa de surpresas, fazendo a gente perceber que só temos a ilusão de achar que sabemos muito, a verdade é que nunca sabemos com o que vamos ser surpreendidos, qual a grande novidade que a vida deixou reservada pra gente na próxima esquina. Estou surpreso com que a vida me trouxe nessas últimas semanas, ela me devolveu amizades que eu acreditava ter acabado, que eu pensava que não tinha como resgatar, como recuperar, como trazer de volta as coisas que em algum momento lá atrás se perderam. É difícil a vida te dar uma segunda chance, te dar a oportunidade de ser melhor, permitir que você vá a luta para recuperar todas aquelas coisas que alguma situação ruim, algum desentendimento acabou levando, não estou falando aqui de qualquer amizade, estou falando de uma grande amiga, de uma incrível amizade, de uma pessoa que em nenhum momento desde que nos conhecemos eu pensei perder, estou falando daquele tipo de pessoa que você se apaixona, que você perfeitamente se encaixa e que a partir disso a história de vocês se desenrola, e a nossa história se desenrolou por mais de dois anos lindamente, com momentos únicos e quase sempre hilários, bastava a gente se encontrar para começar a dividir nossas dúvidas, nossos medos, as coisas engraçadas da semana, as sérias e as maiores bobagens também, até porque é disso que as amizades são feitas, e quer saber? nós dois fizemos uma amizade muito, muito bonita, da qual tenho muito orgulho, e da qual me fez muita falta.

Escrevo sobre isso, pois essa semana quando tivemos nosso encontro do tipo "velhos tempos", eu fiquei observando ela falar, ela rir, a gente trocar aquela energia boa, as palavras saírem da nossa boca quase que sem parar, e tudo aquilo me deu uma sensação muito boa, fiquei muito feliz e completo, entendi naquele momento porque escolhi ela, porque aquela amizade me fez tanta falta, fazendo eu entender que por mais que se lute contra um sentimento, por mais que a gente queira colocar na cabeça que aquilo terminou, que aquilo não vai voltar, que aquilo mudou para sempre, sempre tem uma "chancezinha" guardada, sempre fica pelo menos um pouco aquela certeza que possa dar certo de novo, que vale a pena tentar, e nada me emociona e me deixa mais feliz do que ver as pessoas tentando, do que te ver tentando. Tem uma frase linda do Caio F. Abreu, que sempre me apeguei muito, onde diz "O que tem que ser tem muita força".
Bom, a vida me deu uma segunda chance de ser melhor, de não errar outra vez, e eu estou aqui segurando firme nisso, acreditando que realmente os últimos acontecimentos da minha vida me ensinaram muito, e fizeram eu valorizar mais ainda pessoas de coração bom, pessoas sinceras e dispostas a amar o próximo. Eu sou uma dessas pessoas, apesar de qualquer erro do passado, continuo sendo o mesmo que você conheceu (um pouquinho melhor, eu acho) e continuo acreditando muito no que a gente tem de melhor, quando escrevi o texto Cicatrize (http://www.adeusverde.com.br/2013/11/cicatrize.html) em alguns trechos lembrava muito de você, da nossa amizade, eu enxergava a gente como uma grande ferida, que não seria fácil e levaria muito tempo até cicatrizar, mas, hoje estou feliz ao perceber que nós dois juntos resolvemos cuidar desse machucado, limpar essa ferida e torcer para que ela cicatrize logo e que nossa relação fique mais bonita do que um dia foi.
Sabe que eu te amo!

5 de dez. de 2013

E o Blog?


Ontem a noite em uma conversa com amigas, fui questionado sobre o Blog, como seria o Blog agora sem o fator Câncer, e a bastante tempo venho recebendo perguntas desse tipo, e pedidos para não deixar de escrever. Então, como escrevi no primeiro texto, eu sempre quis ter um Blog, achar um espaço onde eu pudesse dividir meus pensamentos, meus medos, minhas vivências e aprendizados, esse sempre foi meu objetivo, apesar de nunca ter concretizado. A alavanca final para esse Blog finalmente sair realmente foi pelo Câncer, eu precisava urgentemente naquele momento desse espaço, precisava fazer o que sempre amei, que era escrever, utilizar das palavras para organizar meus pensamentos, sempre fiz isso, da infância a adolescência nunca deixei de escrever, ao final de cada texto me sentia melhor, me sentia limpo, aliviado.
Quando recebi o diagnóstico que estava com câncer, não pensei em terapia em nenhum momento, muitas vezes fui levado a procurar um psicólogo por muito menos, por "problemas" que hoje sinceramente não significam nada para mim, mas, naquele momento não queria terapia, queria um Blog, queria escrever, escrever sem parar, contar aquela história que eu estava começando a viver, contar detalhes de um tratamento que tantas pessoas desconhecem, que eu desconhecia, queria achar um meio de deixar todas as pessoas que me amam, e que eu amo informadas, por dentro do meu tratamento, entendendo e acompanhando a minha doença, esse foi meu foco o tempo todo, iria colocar o Blog no ar e tudo que viesse dele seria bônus extra, pois eu já estava muito realizado em ter encontrado meu espaço.
A surpresa foram esses bônus, fiquei muito feliz ao perceber que o Blog alcançou algo maior do que eu imaginava, foi muito bom ver os acessos crescendo e conquistando leitores fiéis, que se envolveram com a minha história e resolveram ficar na torcida, o grande bônus foi poder escrever para tantas pessoas, e contar melhor, de uma forma mais clara como funciona uma quimioterapia, como é lidar com um Câncer, era fantástico ver o número de seguidores crescendo, era mais incrível ainda receber carinho e palavras reconfortantes de pessoas que moram em Recife, Pernambuco, São Paulo, Rio de janeiro, Maceió, e até em Portugal, ver o Blog alcançar essas pessoas foi surpreendente.
Estamos chegando em 23 mil acessos e o Blog ainda não completou seu terceiro mês, então só posso agradecer a todos esses bônus que encontrei no caminho. A corrente que se formou para a minha cura foi gigante e muito forte. Relatei tudo isso para responder as pessoas que me perguntam o que será o Blog a partir de agora? ele continuará sendo o que sempre foi, o meu espaço, onde vou continuar escrevendo o que vier a minha cabeça, ou melhor, o que vier ao coração, o Subtitulo do Blog diz "Os mil pensamentos de um jovem amadurecendo", bom, o amadurecimento vai ser eterno, estamos constantemente dando adeus ao nosso verde, os mil pensamentos vão sempre existir por aqui, o Blog a partir de agora vai ser o relato desses novos aprendizados, e das surpresas que a vida tem reservado pra mim. Que assim seja!

PS: Espero que curtam o novo visual do Blog, comentem.

3 de dez. de 2013

A Convivência


O segredo de uma boa convivência é não conviver o tempo todo. Percebi que por mais amor que se tenha uma convivência diária, quase que em 24 horas, não faz bem para ninguém, as pessoas precisam de espaço, precisam se sentir livres e sozinhas por algum tempo, nem que esse tempo seja curto, mas, ele precisa existir. E essa regra abrange todos os setores da nossa vida, é aplicada em todos os relacionamentos que temos, seja no familiar, no amoroso ou até mesmo nas amizades, pois em todas essas relações existem pessoas, e por mais amorosas, carinhosas e dedicadas que elas sejam, elas também querem seu espaço em algum momento. Eu sempre fui muito passional e extremamente carinhoso, e por muito tempo achei que presença era a base de qualquer relação, que para existir uma era preciso uma presença quase em tempo integral, então não preciso contar aqui que espantei e sufoquei muitas das pessoas que me relacionei, a verdade é que ninguém aguenta uma pessoa tão presente, tão disposta, principalmente tão disposta a conviver, é irritante. Cada vez mais as pessoas necessitam de seu espaço, é maravilhoso estar junto, compartilhar momentos únicos com as pessoas que você ama, é importante dar carinho e receber carinho, é incrível conviver com nossa família, morar com um amigo, ou dividir cama com o namorado, é um sonho para a maioria das pessoas, mas, mesmo quem vive esse sonho, sabe que isso pode virar um pesadelo.
É lindo acordar com quem se ama, difícil é entender porque ele liga o rádio antes mesmo de lavar o rosto e começa a cantar e dançar, com uma animação irritante de quem não percebeu que são 6 horas da manhã de uma Segunda-Feira, é maravilhoso tomar café da manhã com sua família, o ruim é perceber que acabaram com seu iogurte de morango, aquele que faz o teu intestino funcionar que nem um reloginho perfeito, e que por isso hoje você irá sofrer a consequência de um intestino trancado por excesso de convivência, é incrível convidar um amigo para dormir na sua casa, o duro é ficar sabendo naquela noite que ele faz dublagem de trator enquanto dorme, que o barulho de 10 porcos sendo abatidos te incomoda menos que o barulho que ele emite pela boca. Morar, conviver com quem se ama é lindo, é bonito, mas o dia a dia não é que nem as propagandas de margarina, ou qualquer coisa comestível que a televisão mostra, onde todos se sentam a mesa com seus sorrisos congelados, onde o macho alfa da família lê o seu belo jornal, sem nenhuma dobra, como se tivesse acabado de chegar da gráfica, e sua esposa já bem maquiada as 5 da manhã serve um suco de laranja, tão, mas tão laranja que chega a machucar a visão de quem está assistindo, e os filhos comem felizes, eu disse felizes, os seus waffles, não, não é assim, acontece desse jeito porque aquelas pessoas se conheceram a meia hora atrás para gravar o comercial, se elas tivessem convivido mais tempo, o jornal não estaria na mesa, estaria enrolado na porta da casa, e o macho alfa estaria reclamando para sua esposa sem maquiagem, com um coque ridículo na cabeça, de quem o fez no escuro, com suas olheiras enormes de ter dormido pouco, pois uma das crianças passou a noite inteira com febre, e agora come um picolé, porque recusa a comer qualquer outra coisa, não aceita nem os waffles, Bauducco claro, pois aquela super mãe não tem como acordar as 4 da manhã para começar a fazer a massa dos waffles. 
Todo esse exemplo exagerado, ou não, é para dizer que convivência demais enche o saco, incomoda e tira as pessoas do sério as vezes, por isso o segredo é não conviver demais, o segredo é dar uma boa sumida de vez em quando, é você visitar outra pessoa, dormir em outra casa, para no final você sentir falta da sua, sentir falta de quem o incomodava. Uma cama arrumada de quem não dormiu em casa, um celular desligado, uma saudade, são ótimas armas em um convívio quase "perfeito".

1 de dez. de 2013

Fizemos uma Festa


Estou exausto. O tipo de exaustão que vale a pena, pois cantei e dancei a noite inteira em comemoração ao meu aniversário. Ontem finalmente chegou, e se eu pudesse definir, diria que vivi um sonho, mas, muito melhor, pois era um sonho se realizando. O salão de festas estava lá, todo colorido, fui exigente ao escolher cada cor viva que eu iria colocar espalhado por todo aquele salão, tinha tecidos multi coloridos nas paredes, amarelo, laranja, roxo, verde, rosa forte, rosa fraco, muitas cores, todas intercaladas, havia também muitos cataventos, todos muito coloridos, as cores mais bonitas que eu achei, o tipo de cor que você perde alguns minutos apreciando, o chão estava repleto de confetes coloridos, muito coloridos mesmo, consegui cobrir todo o chão com eles, fora os clássicos balões, que ocupavam o chão e as paredes, também em muitas e variadas cores, nas mesas tinham todo tipo de doce, balas, pirulitos, merenque, maria- mole, docinho de coco, de nozes, brigadeiro, do branco e do preto, fora o bolo grande azul e branco e com muitas estrelinhas em cima, que a minha madrinha preparou com todo amor, aliás, minhas outras duas madrinhas prepararam os doces, que estavam deliciosos, tinha também o cachorro-quente, os salgados, tudo feito por pessoas que amo muito, e que surpreenderam o paladar dos meus convidados. Eu cuidei das músicas, de cada uma, todos os tipos de música para animar os jovens e os mais velhos, e o mais bonito foi ver todos juntos na pista iluminada dançando feito crianças, independente de idade, de orientação sexual, ou de qualquer outra coisa, as pessoas ontem estavam unidas, e principalmente felizes. 

Quanto a mim? bom, eu estava completamente feliz, mais do que isso, eu estava realizado, estava e ainda estou emocionado. Sempre fui uma criança e sou um jovem que recebeu muito carinho das pessoas que me cercam, que fazem parte da minha vida, carinho e ombros realmente nunca me faltaram, mas, só ontem eu tive a exata dimensão de tudo isso, percebi todo o amor, o carinho, o afeto que todas aquelas pessoas tem por mim, enxerguei nos olhos dos meus irmãos, dos meus familiares e dos meus amigos aquela felicidade de missão cumprida, aquele olhar de "você merece, cara". Foi isso que eu senti ontem, a sensação de merecimento e gratidão, vi mais de 50 pessoas sorrindo e brincando pela minha causa, por quem eu sou, pelo que eu represento para todos eles. E, essa sensação, essa visão é impagável, não trocaria por nada, nunca me senti tão amado em toda a minha a vida. 
Ontem claro que não poderia faltar um discurso, antes dos parabéns, quase nem gosto de falar, então não podia perder aquela oportunidade, vocês que estiveram comigo sabem o que eu falei, mas eu repito aqui algumas coisas que acho importante, que é basicamente agradecer, agradecer a você Mônica, não só pelos cachorrinhos, mas por tudo que você veio fazendo ao longo desses 5 meses, a toda ajuda que você disponibilizou para mim e para a mãe, por me buscar todas as tardes na saída da minha quimioterapia, por dar ouvidos e ombros a minha Mãe, sempre que ela precisou, por esse amor de "graça" que você tem pela gente, nunca esquecerei, e ao dindo Li que foi um super Padrinho. Obrigado, Shirley e Igor, em primeiro lugar por terem me dado a confiança de batizar o filho de vocês, a confiança gigante de permitir que eu seja Dindo de uma criança tão especial quanto o João, que teve a sensibilidade de um adulto com a minha doença, entendendo de alguma forma que o dindo estava passando por um momento delicado, e por um dia ele ter entrado aqui em casa com uma maletinha de médico, somente para cuidar do dindo, e depois, agradeço também por vocês terem se colocado a nossa disposição, absolutamente para tudo, vocês foram demais, e eu amo ter vocês na minha vida. Agradeço a você, meu irmão, Ed, por ter conseguido se tornar mais preocupado e protetor do que sempre foi, obrigado pelas ligações quase diárias, obrigado pelo abraço e por me dizer que era só uma fase quando eu descobri que precisaria da quimioterapia, obrigado por ser tão irmão, eu tenho um orgulho enorme de você e um amor que vai durar por várias vidas, muito obrigado. Sabrine, vou ser teu eterno caçula, né? já conversamos mil vezes sobre isso, mas o que a gente tem um pelo outro é coisa de vidas passadas. Mana, obrigado por esse amor, obrigado por ter tentado, sem muito "sucesso" hahaha, bancar a forte para a mim, mesmo você chorando escondida todas as noites no inicio dessa história toda, eu te conheço bem, e sei que tu ficaria muito fragilizada com tudo que aconteceu, mas, o que eu queria de você era exatamente o que tu conseguiu me dar, muito amor, conforto e segurança, tu não pode imaginar quantas vezes pensei em você enquanto segurava meu rosário nas mãos e pedia para o enjoo passar, obrigado, eu te amo e amo a família que tu formou. Aos meus outros três irmãos, Karine, Anderson e Andressa, eu também tenho que agradecer, Karine, tu fez eu rir o tempo todo, quando me encontrava o assunto não era a doença, eram nossas histórias, nossos casos de vida, e isso me divertia muito e fazia eu esquecer qualquer problema. Ao meu irmão mais velho, Anderson, que tem aquela cara de forte, mas, por dentro é tao sensível quanto eu, a você Mano, já te disse que uma conversa fez a gente se aproximar de verdade, e fez eu te admirar, sou muito feliz por ter um irmão mais velho, com um baita coração, um cara que já passou por tanta coisa mas não esconde as suas lágrimas quando elas descem, obrigado pelo apoio, e por demonstrar o teu amor, amo você, o João, e a tua Esposa, a Cauca é um presente pra mim. E, você mana, Andressa, tenho que agradecer o teu carinho, e a ligação que a gente em algum momento reforçou, eu te amo muito, mana, e amo mais ainda por você ter a coragem de me dizer que não conseguiu lidar com tudo isso, eu sei o quanto era pesado, e ter você bem, me dando amor já bastava. 
Agradeço de coração as minhas meninas, as melhores amigas que alguém pode ter, Michelly, Priscylla, Louise, Vitória que acompanharam tão de perto todo esse tratamento, sempre torcendo e me entendendo, a vocês que me viam com tanta naturalidade, mesmo eu careca, sem sobrancelhas e dez quilos mais gordo, obrigado pelas risadas e pelo apoio, só a gente sabe o quanto somos especiais e importantes um pro outro.
As minhas dindas, Mara, Regina, Maria Laura, que fizeram seus papeis de segunda mãe, e rezaram, e torceram muito por mim, sou eternamento grato, e feliz por ter vocês como Madrinhas.
A minha vó Alzira, que apesar dos seus 86 anos soube lidar muito bem com essa doença, ver um dos seus netos passar por isso não deve ser fácil, ainda mais quando vó e neto são tão apegados, como nós somos, ontem te ter na minha festa, sentadinha, me vendo dançar e comemorar foi incrível, não teve como segurar a emoção, sentei no teu colo e chorei muito, mas, eu juro vô que chorei somente de felicidade, eu te amo muito, minha velha louca. Quanto a minha Mãe Carmem, não preciso dizer mais nada, disse em dois textos aqui do Blog, e ontem a noite no meu discurso, eu te amo, isso basta.
Bom, são muitas as pessoas para agradecer, aos meus amigos, as pessoas aqui do Blog, aos conhecidos que se sensibilizaram com a minha história, a todos que sabem que fizeram parte de tudo isso, e principalmente a vocês que estavam junto comigo ontem a noite, fazendo daquela festa uma grande FESTA!
Muito, muito obrigado. E, que a vida seja tão linda quanto ontem.