f Adeus, verde.

1 de nov. de 2013

Cicatrize


Procuramos sempre ser evoluídos. Acredito que estamos aqui justamente para isso. Para aprender. Mas, não podemos negar nossos sentimentos, não podemos fechar os olhos para as coisas do coração. Aprendi a respeitar os meus sentidos, aprendi a respeitar o tempo que levo para digerir as coisas, acredito em um tempo muito particular, um tempo seu, de acordo com suas vivências, de acordo com suas verdades, e quanto a isso ninguém pode lutar, nem mesmo você. Aprenda a respeitar esse tempo, a respeitar suas vontades, a respeitar seus sentidos, seu sexto sentido. Entendi de uma vez por todas, que por mais evoluído que eu procure ser, tem coisas que pelo menos por enquanto, não podem ser de outro jeito, eu estaria indo contra meu coração. Por isso, não posso te aceitar agora, não quero aceitar agora, não posso restabelecer uma conexão, forçar uma nova ligação, essas coisas não funcionam sob pressão. Demorei, mas aprendi que existem feridas que não podem simplesmente levar pontos, serem fechadas na marra, na hora que você resolve fazer isso, tem feridas que precisam ser cuidadas todos os dias, lavadas e medicadas, ou só precisam ser esquecidas, deixadas, literalmente curadas e fechadas com o tempo, não aquele tempo de calendário, de relógio, esse tempo não vale nada para esse tipo de coisa, o que essas feridas precisam é do seu tempo, do tempo sentimental, é o coração quem cuida disso.
Mágoa não é boa, não faz bem, e todo mundo sabe disso, mas, ter alguma mágoa não te faz pequeno, não te faz menor que ninguém, se você tem mágoas, é porque você tem sentimentos, e provavelmente sentimentos que foram feridos, machucados por alguém, e quanto a isso meu caro, não se pode fazer nada, apenas esperar, esperar aquele tempo que relatei lá atrás. Não se envergonhe de suas mágoas, de suas feridas ainda abertas, repito, isso não te diminui, não te inferioriza. Absolutamente não luto mais contra os meus sentimentos, contra a minha essência, observo o que ainda não foi cicatrizado dentro de mim, e trabalho para isso melhorar, para eu melhorar, mas, sem apressar nada. Posso te perdoar, e se achar a palavra perdão muito forte, eu uso desculpar, o perdão e a desculpa acontecem naturalmente, em uma terça-feira ensolarada, ou em quinta-feira parada, não sei, elas simplesmente acontecem, é natural, é humano, e não podemos esquecer que são somente palavras. A tua ação, ou tuas ações em algum momento machucaram, foi contra meus princípios, foi contra o que eu quero pra mim, foi contra a gente. E, hoje, principalmente hoje, nesse meu novo momento, é contrário a tudo que eu aprendi, a tudo que eu desejo para a minha vida, então, não posso te aceitar, não quero aceitar, não vejo conexão, e não acredito em uma nova ligação. Isso é a forma que encontrei de me respeitar, de respeitar as feridas que foram feitas algum dia, e que hoje estão sendo cicatrizadas. Não se pode atravessar uma vida imune, sem se machucar, e sem ser o causador da mágoa de outras pessoas, os motivos e as oportunidades para isso acontecer, estão aos montes, soltas por aí, as vezes nem mesmo podemos evitar. Aos que magoei, quando percebi que era sincero, usei a desculpa, ou até mesmo o perdão, e nunca me envergonhei disso, depois disso, eu simplesmente me afastei, tirei o meu time de campo, dei o espaço que acho necessário, um 
espaço para a pessoa respirar, e começar a tratar a ferida que eu deixei, isso é respeito, isso é amar aquela pessoa que por alguma ação minha, foi machucada. O tempo que esse tratamento vai precisar, o tempo que o perdão vai levar para chegar até você, bom, meu caro, isso nunca saberemos imediatamente, se em uma terça-feira parada, ou em uma quinta-feira ensolarada, quem vai saber? Faça sua parte. Respeite o tempo dela. Respeite o seu tempo.

30 de out. de 2013

Os Três "Felipe"


Faltando um mês para o meu aniversário de 23 anos, e faltando pouco mais de uma semana para o último ciclo de Quimioterapia (Se tudo der certo!) é impossível a cabeça não estar a mil, é impossível que ela não esteja trabalhando muito, quase o tempo todo. Ando entrando madrugada a dentro acessando minhas lembranças, percorrendo todos os momentos da minha vida, visitando minha infância, encontrando aquele Felipe lá de trás, tenho olhado muito nos olhos daquele garoto, daquela criança, tenho pensado muito em mim, e quando chego no momento que estou hoje, fico ainda muito impressionado, fico observando esse Felipe de agora, gosto de me encarar no espelho, exatamente como eu estou hoje, sem cabelos, com menos sobrancelhas, um pouco mais gordinho, e com outros olhos, com outro semblante. As vezes não acredito em tudo que vivi, ainda não caiu a ficha desses últimos meses, desde que recebi o diagnostico do meu câncer, a única coisa que fiz, foi agir, foi peitar essa doença, e encarei isso de tal forma, que acabo esquecendo que estou doente, entrei nessa jornada visualizando o fim, e hoje, agora, meus pés se encaminham para esse momento, e a sensação é uma loucura, sinto medo, sinto alivio, sinto alegria, sinto uma coisa muita intensa, que faz meus olhos encherem de lágrimas, ainda não acredito que eu passei por tudo isso.
Meus olhos mudaram, meu olhar nunca mais será o mesmo. Me atirei de cabeça nesse tratamento, só o que fiz nesses últimos meses foi em prol da minha cura. Pela primeira vez na minha vida, eu quis algo de verdade, pela primeira vez na minha vida, meus joelhos tiveram razão para se dobrarem. Nunca desejei tanto viver, nunca pedi tanto por isso. Hoje, me vejo como três "Felipe", um menino na infância, com uma sede por viver, por conhecer, cheio de perguntas, e com o brilho intenso no olhar, de criança amada, feliz. Vejo um outro garoto um pouco mais velho que o menino, agora jovem, com sonhos, com expectativas, e planos, mas, sem saber o que fazer com tudo aquilo, um garoto tentando se encontrar, com mais dúvidas, com mais anseios que antes, um garoto do bem, mas, cheio de perguntas, vejo esse Felipe se "quebrando" muito pelo caminho, mas, reparo, naquele olhar, que ele trouxe da infância, um brilho intenso, de garoto amado, feliz. Esses dois se unem, e chegam até mim. Hoje, quem recebe esses dois, sou eu, o terceiro Felipe, um pouco mais velho que os outros, e finalmente diferente, com novos sonhos, novos planos, com menos dúvidas, e mais perto de si, sinto que me encontrei. Hoje, consigo amar esses dois, consigo entender as suas trajetórias, seus caminhos que pareciam tortos, confusos, agora eu sei que não, eles fizeram o caminho certo, o final, ou melhor dizendo, a chegada, era aqui mesmo, onde esse Felipe esperava, já pronto, com toda a bagagem daqueles dois, e com novas mochilas, repletas de aprendizados, de caminhos, de alternativas, repleto de opções. Hoje, encaro no espelho um olhar diferente, mas, com aquele brilho intenso, de homem amado, de homem feliz.

É realmente incrível ter passado por tudo isso (pra mim, isso já acabou), estou quase alcançando a minha cura, minhas mãos estão quase tocando o final disso tudo, estou na ponta dos pés, mas, já consigo enxergar essa nova fase, uma nova idade, um novo ano quase aqui, e as inúmeras oportunidades. Não existe nada que traga mais felicidade, do que estar vivo. Meu presente de aniversário vai ser esse, uma vida embrulhada em um lindo pacote, com um laço enorme, e um bilhetinho dizendo: Aproveite!

27 de out. de 2013

Meus Cúmplices


Hoje olhando algumas fotos, fotos que tirei com pessoas que amo muito, e que fazem ou fizeram parte da minha vida, eu na hora observei a cumplicidade que tinha ali, a cumplicidade que criei com alguns amigos, familiares, ou até mesmo com algumas paixões. Gosto muito de perceber o quanto tive relações saudáveis, e de verdade com várias pessoas, que entraram na minha vida, e por pura questão de química, de afeto, de falar a mesma língua, de alguma coisa bater, de identificação de espirito, elas resolveram ficar, e com o tempo, normalmente com um curto tempo, se estabelecia a cumplicidade nas minhas relações.
E, hoje percebo, mais do que nunca, o quanto isso é importante, e na verdade, o quanto é exatamente isso que vale a pena nos laços que fazemos, não existe vinculo sem uma cumplicidade, sem uma ligação sincera entre aquelas pessoas. A definição que mais gosto de cumplicidade, é a que diz que há conivência e entendimento, entre duas pessoas, conivência não costuma ser uma palavra bem vista, mas, gosto de pensar nela não como uma conivência cega, sem limites, mas como uma lealdade, ser conivente com aquela relação. Outra definição que acho bonita é a que diz que cumplicidade é apoiar o outro em suas decisões, sem tentar interferir em suas idéias, ou crenças, aceitar o limite do outro. E, foi exatamente essa definição que regeu, que deu movimento as minhas amizades, que ajudou a criar um amor incondicional por algumas pessoas, a ponto de conseguir enxergar isso nas fotos, no olhar daqueles dois.

Cumplicidade está no olhar, está nessa ideia de conseguir aceitar o outro, sou absolutamente apaixonado pelas pessoas, e por tudo que elas trazem, minhas melhores amigas e meus mais enlouquecidos amores foram pessoas totalmente diferentes de mim, gente que eu nunca imaginaria ter algum tipo de ligação, mas, que através de uma conversa, onde nos permitimos ouvir o outro, se fez uma ligação, aconteceu algum entendimento maior, ouve a cumplicidade, aquela coisa sincera que se estabelece entre algumas pessoas, e que transmite confiança, transmite certeza, gosto de ver isso acontecendo, observar essa linha se construindo, essa linha que é feita com uma conversa boa, palavras que surgem, que contam histórias, que dividem momentos, que trocam informação, que trocam afeto, que trocam carinho, é a partir daí que nasce a cumplicidade, é a partir daí que nasce tudo. É fácil levar uma relação com cumplicidade, porque sendo cúmplice você pode ser você mesmo, pode ser exatamente como você é, sem máscaras, sem ter que escolher palavras, armar situações, basta você tomar um banho e encontrar a pessoa, juntos vocês se bastam, a conversa flui, e não existe tempo ruim. Aprendi a valorizar relações assim, passei daquela fase que relação boa, é relação complicada, sabe? Hoje, o que mais quero é descomplicar tudo, gosto de gente fácil, simples, porque assim as coisas ficam fáceis, ficam simples, não ter dor de cabeça, preocupação, sério, a vida é muito maior que isso, aliás, a vida é imensa, então eu quero relações imensas, grandes, vivas, e leves. Quero cúmplices, quero entender alguém sem interferir em suas decisões, quero alguém para respeitar minhas crenças, só quero gente em que o olhar seja sincero, só quero gente que eu consiga enxergar a cumplicidade até mesmo por foto. 

23 de out. de 2013

Eu Sonhei


Sonhei com um mundo perfeito. Sonhei com um mundo ideal. Onde as coisas funcionavam, onde as coisas gostavam de existir, sonhei com um mundo em que valia a pena existir, onde existia muita graça em estar vivo. Sonhei com uma energia enorme, uma energia que cativava e chegava em todos. Sonhei com uma força que rompia barreiras, rompia dúvidas, e que chegava em todo mundo. Sonhei com uma corrente verdadeira, forte, grande, que alcançava quem quiser, uma corrente feita somente de coisas boas, de sentimentos bons, de pedidos fervorosos, sonhei que essa corrente era gigantesca, que cobria todo o céu, e que bastava a gente colocar as mãos para cima, fazer um pedido de todo coração, que a gente subia, se pendurava nessa imensa corrente positiva, onde todos em volta sorriam, eram pessoas conhecidas, e muito queridas, unidas por seus desejos, por seus sonhos. Sonhei com um mundo em que todos lutavam pela mesma causa, em que união era algo natural. Sonhei que existia muita luz, luz em volta das pessoas, luz por todos os lados, uma luz maravilhosa de se olhar, de se admirar, lembro da paz que aquilo tudo trazia, da plenitude que aquele mundo possuía. Sonhei com um mundo perfeito, perfeito porque era de verdade, feito somente de gente, e de sentimento, onde a única coisa que importava naquela terra, era a felicidade e a realização daquelas pessoas. Um mundo onde os sonhos tinham uma importância enorme, e a única luta que eles precisavam desbravar, era essa, a da busca pelo seus sonhos, a ir atrás do que acreditavam, daquilo que fazia seus corações vibrarem, suas pernas tremerem, daquilo que encheria seus peitos de orgulho, de vontade. Era uma corrida pela vida, pela felicidade, pela realização. Sonhei com um mundo ideal, onde gentileza, boa educação, e caráter, eram coisas de sempre, sonhei com gente realizada, com gente protegida, protegida por uma fé inabalável, uma fé quase palpável, que cobria todas aquelas pessoas, que inundava aquele povo. Sonhei com um mundo em que a cura era certa, em que a cura viria para todos que desejassem, bastava você pedir, olhar para o céu, e jogar seu pedido naquela imensa rede de proteção, naquela gigantesca corrente do bem. Sonhei com um mundo que funcionava, que acontecia, que girava, que mudava. Sonhei com aquele sentimento de perfeição, de bem estar, de respirar leve, de respirar forte. Sonhei com coisas vivas, coisas pulsantes, coisas que tinham energia, vitalidade, vontades. Sonhei que tudo daria certo, que tudo estava acontecendo exatamente como deveria acontecer, sonhei que cada virgula da história daquele mundo, tinha sido redigida por Deus, por uma força sobre-humana, por uma energia vibrante. Sonhei que não existia final, ou que simplesmente o final não interessava, não agora, não hoje, não enquanto esse mundo funcionar, não enquanto essa corrente estiver girando, não enquanto essas pessoas se amarem, não enquanto cada uma dessas pessoas chegarem nos seus sonhos, final não importa, importa a caminhada, importa essa jornada. Sonhei que enquanto existir Fé, vai existir Coragem. Sonhei que enquanto existir Coragem vai existir sonhos. Sonhei que enquanto existir esses sonhos, esse mundo vai existir. Enquanto esse mundo existir dentro de mim, eu não vou querer saber do fim.