f Adeus, verde.

27 de dez. de 2013

Amadurecer


Tem dias que as coisas não vão bem, que elas simplesmente não funcionam, tem dias que você está pra baixo e te faltam palavras, tem dias que estamos soterrados em nós mesmos e não tem o que nos tire de lá, tem dias que sentimos uma vontade de entrar para dentro de um buraco e não sair mais, tem dias que temos vontade de sair da cidade, do país, do mundo. As vezes os motivos para tudo isso são vários, mas, tem vezes que não existe nenhum motivo aparente, é apenas um sentimento, como o de felicidade ou o de tristeza, e somos obrigados a vivenciá-lo até que ele vá embora. Agora que estou curado estou vivendo novamente, então estou tendo a chance de colocar em prática tudo aquilo que escrevi ao longo dos últimos meses, tudo aquilo que amadureci, aí é que está... Amadurecer, falar em amadurecimento sem vivenciar de verdade não adianta em nada, é como se não existisse o tal amadurecimento. Muitas vezes escrevi aqui sobre palavras que não acompanham atitudes, é uma coisa que não aceito nos outros, que não tolero mais, mas, e se eu caísse justamente nisso, em estar usando palavras que não acompanham minhas atitudes. Estou "falando" tudo isso porque como disse estou novamente na vida, tendo a oportunidade de aplicar todo esse amadurecer fora do meu quarto, estou de novo convivendo com pessoas, então quando me vejo cometer um deslize desses que não aceito, desses que aquele Felipe antes da doença cometia, e que hoje não servem mais pra mim, eu fico para baixo e esse texto é gerado.

Estou aqui para dizer que amadurecer é difícil, mudar atitudes padrões que você vinha fazendo ao longo da sua vida de uma hora pra outra é bem complicado, requer muito esforço e força de vontade, por isso que eu digo que não adianta falar, você precisa fazer. Deixar velhos defeitos para trás e de uma vez por todas não é tarefa fácil, mesmo pra quem viveu uma doença como a minha, aprendi muito com o câncer que tive, realmente consigo hoje olhar a vida com outros olhos, mas não posso negar que ainda assim uma mudança total não é fácil de acontecer, requer um tempo para as coisas encaixarem. Conversando com um amigo e uma amiga hoje sobre isso que me afligia, ouvi coisas muito boas, meu amigo disse que pra acontecer alguma mudança realmente não basta só falar, você precisa vestir a camiseta, vestir a camiseta da mudança, mudar suas atitudes, se policiar, entrar nessa de verdade, de não querer cometer os mesmos erros novamente, e minha amiga acrescentou dizendo que "Amadurecer não é do dia pra noite".
Bom, de repente eu esteja sofrendo de um dos meus principais defeitos, que é o da ansiedade, de querer tudo rápido e para ontem, quero ver os resultados logo. Ainda tenho muito o que crescer, sem dúvida, o que me importa agora é que eu tenho essa vontade, que a vontade é sincera aqui dentro de mim, que eu não aceito mais qualquer falha no meu caráter, que eu quero ser cada vez mais integro, e que principalmente eu quero cicatrizar aquelas feridas do passado, aquela feridas cheias de ressentimento de momentos que eu não fui feliz ou que fui enganado, não quero mais levar isso na minha bagagem, não quero atravessar para o próximo ano com essas feridas abertas, quero provar o meu amadurecimento justamente com isso, com essa evolução. Quero ser cada vez mais feliz com esse Felipe que está todo dia nascendo mais um pouco, se transformando. Resolvi vestir a camiseta.

23 de dez. de 2013

Natal Maluco


Hoje estive no centro de Porto Alegre, e me deparei com um formigueiro gigante feito de pessoas, pessoas que corriam de um lado para o outro, em um ritmo frenético e com suas sacolas batendo umas nas outras, mães segurando caixas e seus filhos, os filhos segurando bolsas e seus sorvetes, todos parando em cada frente de loja e escolhendo ali mesmo se entrariam ou não, perto deles os carros tentavam passar, buzinavam, gritavam, e aquelas pessoas se esquivavam mas continuavam seguindo, tudo a baixo de um sol que queimava, que sufocava. Lembrei naquele momento que aquela correria toda não significava o fim do mundo, apenas era o natal avisando que estava próximo, bem próximo eu diria.

Natal. Essa é uma data um tanto contraditória, vamos primeiramente esquecer (com todo o respeito) o real motivo dessa data, a parte bíblica de tudo isso, vou escrever somente sobre esse ritual que é o natal, que invade a casa da grande maioria das pessoas, independente de nível social, de raça, de sexo, ou até mesmo de religião, no dia 24 de Dezembro milhares de pessoas se unem em um mesmo objetivo, celebrar essa data. Eu chamo o Natal de contraditório porque toda essa loucura que descrevi no inicio do texto não combina em nada com o verdadeiro espírito natalino, acho incrível que as pessoas corram desesperadamente na última semana do ano para comprar seus presentes, presentes para os filhos, para os sobrinhos, para os pais, noras, genros, sogros, afilhados, presentes do amigo secreto da família, da vizinhança, do trabalho, do curso, da academia, enfim, laços e pacotes para tudo que é lado, sem falar das filas, do trânsito, e de todo o resto que você ainda tem para administrar.
No dia 24 mesmo, com todos os presentes espalhados pela sala, com toda a decoração de natal devidamente em seu lugar, você estará em sua cozinha quente, usando um avental de papai noel e com alguma luva velha que não acompanha aquele clima, mas, que serve para tirar o peru do forno, o chester ou seja lá o bichinho que você resolveu assar, fora isso tem a torta fria pra você preparar e os canudinhos para encher, provavelmente você só lembre da sobremesa quando estiver quase na hora de você abandonar aquela cozinha agora cheia de panelas sujas, pratos e colheres, no meio disso tudo você tem que se arrumar, então coloca um creme hidratante no cabelo e aproveita a "sauna" da cozinha para conseguir algum resultado, enquanto as rabanadas fritam você aproveita para fazer as unhas, dar um "tapinha" pelo menos, já que teve que trocar o salão de beleza por um supermercado lotado, a escova no cabelo você mesmo vai fazer, depois que vestir as crianças e entreter elas com Danoninho até que a comida seja liberada. Finalmente o peru está pronto, você ficou assistindo ele se "bronzear" ao longo daquelas quatro ou cinco horas, você nem lembra mais, o pior de tudo é que agora tem que decorar ele, como se decora um peru? esqueça as roupinhas de boneca da sua filha, opte pelo mais convencional, fios de ovos, cereja, farofa, alface embaixo para fingir ser uma "coberta" verde, enfim, jogar no Google é sempre uma ótima opção.
Ao longo desse dia e no meio de tudo isso você irá atender umas 37 ligações daqueles parentes distantes, que só querem antecipadamente lhe desejar um Feliz Natal... Feliz? Você respira fundo, você só precisa tomar um banho e beber um Whisky sem gelo para se sentir melhor, para resgatar seu espírito natalino que em algum momento ficou preso dentro do forno, ou na geladeira ou na despensa. Depois de tudo preparado e de já ter dado milhares de gritos com as crianças que teimam em abrir os presentes antes da hora, você vai para o seu banho, para o seu quarto, fedendo, escabelada e exausta, respira bem fundo na frente do espelho, vai para debaixo do chuveiro e tira aquele cheiro de rabanada que impregnou no seu corpo, depois do banho os cremes, o perfume, a maquiagem, a lingerie nova com a cor que seu signo recomendou, o cabelo, e a melhor roupa que você poderia escolher. Na sala todos lhe esperam, enquanto conversam, comem os canudinhos que você preparou, bebem, fazem piadas quanto ao tamanho do peru, quanto ao pavê que está na geladeira, começam a pensar em como revelar seus amigos secretos, reparam no tamanho dos presentes, as crianças brincam, voam pela casa, entram em todos os cômodos e alguém grita "Na cozinha não!!!!" Bebês choram, depois mamam, o Papai da casa se transforma em Noel, morrendo de calor e destilando cerveja pelos poros, pega o saco vermelho e desce as escadas, vocês não tem chaminé. Meia noite, a contagem regressiva da Rede Globo avisa, o champanhe estoura, cai dentro das taças que estão unidas e no seu tapete caro, mas, é nesse momento que você olha ao redor e percebe toda a sua família sorrindo, sorrindo e se abraçando, é nesse momento que todas as famílias de todos os lugares sentem a mesma energia, a de gratidão, de carinho e de desejo, no momento que os abraços se fecham e as mágoas são postas de lado pelo menos por alguns segundos, tudo aquilo vale a pena, é nesse momento que o espírito natalino invade você, você abre um sorriso, vira para a janela, repara na imensa lua e nas dezenas de estrelas que estão decorando aquela noite e agradece, agradece por essa união, por esse ano, pela saúde e por aquela atrapalhada família. A moral da história? Com amor tudo vale a pena.
Um feliz natal a todos vocês, com muita luz, paz e divertidos momentos ao lado de quem você mais ama. 

19 de dez. de 2013

Mostra a tua cara


O sábio Cazuza já dizia em uma das suas canções: "Mostra a tua cara". Tudo bem que nesse caso ele falava para o Brasil, mas, aproveito a deixa para repetir a algumas pessoas: "Mostra a tua cara", cada vez fico mais tolerância zero com esse tipo de gente, que se esconde atrás de uma coisa que não é, que não mostra a cara pro mundo, que não bate no peito e diz quem é de verdade, não suporto ouvir discursos que não fecham com atitudes, gente dizendo ser o que não é, carinha de gente boa, educado, prestativo, carinhoso, até virar as costas, até ir pra casa, até ficar sozinho em seu próprio mundo. Essas coisas realmente me assustam, porque não consigo ser desse jeito, não consigo ter uma vida paralela, ser duas pessoas, e fico pensando como é a vida de quem faz isso, como é viver pela metade? Como é ser alguém que você não quer ser, em sua própria vida? Os motivos devem ser diversos, e devem ser muito particulares, e complicados de entender, terapia deve ser uma boa alternativa. 
Por isso, definitivamente não aceito mais em minha vida esse tipo de pessoa, não tenho mais paciência, e não sirvo mais para psicólogo, as portas estão fechadas para esses visitantes. Sejamos todos cada vez mais transparentes, vamos ser coerentes em nossas declarações, vamos decidir em que lado do muro ficamos, vamos usar a sinceridade ao nosso favor, jogar limpo, quanto mais preto no branco as coisas forem mais chances de funcionar elas tem, vamos chegar nas pessoas e colocar os pingos nos is, chega de usar as palavras por usar, as pessoas esquecem a força que as palavras tem, e jogam elas pra fora assim, sem medir, sem pensar no que estão realmente falando. Deixe as pessoas te conhecerem de verdade, pra ver se vão realmente gostar. Para de usar tua carência para se aproximar das pessoas, carência afasta, com muito custo eu aprendi isso, e posso te dizer que sempre há tempo. Assuma, essa é a palavra: Assumir. Assumir tua opção, assumir o que você gosta de verdade, que gênero de filme você prefere, que comida, que bebida, o que você gosta de fazer, e não o que faz para agradar os outros, se assuma com todos seus defeitos, sejam os piores e mais tenebrosos, mas, ASSUMA, fazer gênero, se vender como se fosse uma mercadoria, ter duas vidas, me desculpa, mas isso não é viver, isso é se esconder. Aproveite o ano que está entrando, vá até a beira do mar e solte todas essas mentiras, deixa a água levar suas máscaras, seus discursos já tão ultrapassados e falsos, se liberte de todas essas coisas, de repente depois que você estiver "nu", sem tudo isso atrapalhando, você até fique feliz de se reconhecer de verdade, de se enxergar pela primeira vez, ou de permitir que os outros enxerguem, de repente você vai conseguir ser mais legal do que tenta, de repente a partir daí as coisas comecem a se abrir para você, a partir disso pode ser que mais pessoas se aproximem, e dessa vez pessoas de verdade, que queiram ficar, que queiram permanecer, e que não sairão correndo ao perceber quem você é. Talvez o teu caminho sempre solitário acabe. Trate bem suas novas relações, use as palavras a teu favor, e por favor, não esqueça das atitudes acompanharem essas palavras, se não elas viram lixo. O momento que começamos a ser tudo aquilo que dizemos, a nossa vida começa a andar pra frente. Então, por favor, mostra a tua cara!

16 de dez. de 2013

Pedidos da virada


Final do ano é isso sempre, não adianta tentar evitar, acabamos sempre fazendo planos para o próximo ano, traçando metas e mentalizando pedidos enquanto pulamos as ondinhas, queremos sempre acreditar que o ano que está chegando vai ser ainda melhor do que o anterior, pra isso fazemos a nossa listinha mental de tudo que queremos trazer para a nossa vida nos próximos 365 dias. Comigo obviamente não é diferente, uso essa ideia de fim de ano justamente para me reorganizar psicologicamente, fazer aquela velha e conhecida retrospectiva do que foi meu ano, e a partir disso planejar e priorizar coisas novas para o próximo. 

Lembro de muitas "puladas" de ondas, lembro de diversos anos onde me concentrei ao máximo para fazer meus pedidos, e acreditei com cada molécula do meu corpo que aquilo daria certo. Sempre fui uma pessoa muito passional, daqueles que se entregam com tudo, que pulam sem saber se existe rede de proteção, então sempre gastei um dos meus sete pulinhos pedindo uma pessoa bacana, mentira... uma pessoa bacana, sincera, leal, bonita, companheira, engraçada, etc, uma pessoa para me acompanhar ao longo do próximo ou dos próximos anos. Com essa vontade toda é fácil se enganar, e acabar caindo aos pés de qualquer um, que você imagina ser tudo aquilo que mencionei e mais um pouco, e com o tempo isso cansa, além claro de fazer muito mal, só quem teve um relacionamento turbulento sabe as causas finais disso tudo, então na virada do ano passado eu fiz diferente, substitui o pedido de ter alguém para o de não ter ninguém, ao dar meu pulinho pedi que o ano de 2013 fosse um ano todinho pra mim, que eu não viesse a me envolver com ninguém, para então eu conseguir buscar um autoconhecimento e um amadurecimento que só a solidão trás, e não é que Deus me ouviu, e da sua forma trouxe todo o amadurecimento que eu tanto pedia, além de me permitir percorrer todo esse ano "sozinho", sem envolvimentos afetivos, e para eu não dar falta de nada colocou diversas pessoas muito, muito especiais no meu caminho, pessoas que realmente estiveram comigo na alegria e na tristeza.
Esse fim de ano é diferente, realmente tudo mudou, aquele Felipe de um ano atrás não é o mesmo que vai entrar no mar a meia noite agora do dia 31. Então os pedidos vão ser outros, acho que a saúde vai ocupar 5 dos meus pedidos, dos outros dois eu só revelo um, em 2014 eu quero alguém, vou pedir novamente ao mar, aos deuses, ao universo alguém pra valer, e a única exigência dessa vez é que esse alguém seja verdadeiro, apenas verdadeiro, verdadeiro o suficiente para fazer as coisas funcionarem, verdadeiro o bastante para eu me orgulhar de ter essa pessoa do lado, que a verdade envolva nossa relação, fazendo disso brotar coisas boas, momentos únicos e histórias engraçadas, enfim, tudo que um relacionamento precisa para ir para frente e não desabar nas primeiras brigas. Estou pronto para receber a pessoa que vou amar de verdade, pois, ao contrário das outras vezes, agora eu sei quem eu sou, descobri minha força e meu grande valor nesse ano, e essas coisas uma vez descoberta, nunca mais lhe é tirada. Aprendi que pessoas devem se somar, nunca se diminuir. Aprendi que confiança é algo muito frágil, feito uma joia, se arranhado ou quebrado perde valor. Aprendi que palavras sem atitudes são como um aquecedor no verão, não servem pra nada, além de ocupar espaço. Arrastar um relacionamento, ou fantasiar qualidades em uma pessoa para "realizar" um desejo de fim de ano, não vale nada a pena. Estar seguro de si e focado em sua própria vida, isso sim vale a pena, e é desse jeito que qualquer pedido de fim de ano se concretiza. Que venham as 7 ondas!